Ouvi esta canção outro dia em um almoço com meu pai. Só então percebi, no seu conteúdo, o quanto ela tinha da graça comum.
Em homenagem ao meu pai que também gosta de serestas:
Porta Aberta
Vicente Celestino
Vinha por este mundo sem um teto
Dormia as noites num banco tosco de jardim
Sem ter a proteção de um afeto
Todas as portas estavam fechadas para mim...
Mas Deus, que tudo vê e nos consola
Em seu sagrado Templo me acolheu
E, além de me ofertar aquela esmola,
Meu destino transformou
Meu sofrimento acabou
E a minha vida renasceu...
Porta aberta
Tendo o emblema de uma cruz
Essa porta não se fecha
Contra ela não há queixa
São os braços de Jesus
Porta aberta
Por Jesus de Nazaré
Desvendou-me o bom caminho
Hoje é meu doce ninho
Novamente deu-me a fé
Porta aberta
Já não vivo mais ao léu
Porta aberta
Ao transpor-te entrei no céu
Porta aberta
Nunca mais hei de esquecer
Que és na terra minha luz
És o bem que me conduz
Desde o berço até morrer!
Realmente não lembro se já postei isso aqui. Pelo sim e pelo não, estou postando hoje. Trata-se de um pequeno vídeo de um encontro do Luiz Arcanjo e do João Alexandre. Vale a pena assistir sobretudo pelas colocações do João Alexandre. Gostei e endosso aqui o que ele fala.
"A arte e a ciência têm um lugar na vida cristã - não são periféricas. Para o cristão, redimido pela obra de Cristo e que vive segundo as normas das Escrituras e sob a liderança do Espírito Santo, o senhorio de Cristo deve incluir o interesse pela arte. O cristão deve usar a arte para glorificar a Deus, não simplesmente como propaganda evangelística, mas como algo belo para a glória de Deus. Uma obra de arte pode ser, em si, uma doxologia.
Hoje tive a oportunidade de visitar um casal muito querido da igreja da minha mãe. Foi uma pequena viagem até Bangu City (RJ) que valeu muito a pena. Eu, a mais nova do grupo, me peguei observando como podem viver bem os da casa da 3ª idade (desculpem aqueles que gostam do termo, mas "melhor idade" pra mim soa pura hipocrisia, além do que "melhor idade" não seria sempre aquela que a gente tá vivendo?).
Foi uma visita especialmente importante porque se trata de um casal que não tem mais podido ir à igreja que frequentavam. Eles têm sentido muita falta dessa comunhão, desse convívio. Então foi bom levar um pouco dessa comunhão, desse partilhar para eles.
"Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união.
É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla das suas vestes.
Como o orvalho de Hermom, e como o que desce sobre os montes de Sião, porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre." (Salmos 133:1-3)
"Tudo tem seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu" (Ecl. 3:1)
No livro de Eclesiastes, o autor afirma que não só há um tempo determinado para tudo, como há um tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de plantar, de colher, de rir, de chorar... De ajuntar pedras e espalhá-la (o que interpreto como fazer e desfazer alianças). Há tempo de abraçar e de afastar-se de abraçar. Tempo a ser respeitado, aceito com mente e coração.
Vivemos em um período que desrespeita o tempo das coisas. Desrespeita o nosso tempo. Sofremos com isso, pagamos um preço. Penso que o tempo de Deus é um tempo redimido, um tempo que nos constrói, restaura. Ele não nos destrói, nos consome como é o tempo da nossa época.
Saber respeitar o tempo, aguardá-lo, abraçá-lo. Eis aí um grande desafio. Que Deus nos dê sabedoria nesse caminhar.
Gosto muito de Chico. Bom letrista o cara, boas melodias também. Uma das canções dele que mais me chamam a atenção é O que será (à flor da pele). Uma canção que traduz tão bem a angústia humana. Ouço-a como se ela estivesse dando nome ao que é inominável. Veja por si mesmo:
O que será (à flor da pele) - Chico Buarque
O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
E nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que será
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vem atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
E todos os meus nervos estão a rogar
E todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo
Percebo simplesmente uma lacuna. Uma lacuna exatamente do tamanho de Deus.
P.s: Há um diálogo claro aí com vários salmos... Penso no 139, 77, 88... Consola saber que pra Deus "o que me dá" tem governo e tem juízo. Ele conhece o oculto do ser humano.
Acabei a leitura de 1984, de George Orwell. Gostei. Até mesmo porque era uma dívida que eu tinha para comigo. O texto causou impacto em alguns momentos, em outros, confesso que não me surpreendeu. Mas senti assim... Aquele tapa de luva de pelica. A obra é mais que uma nota, uma observação, é uma análise ácida e contundente de tempos pelos quais poderíamos passar: "Se você quer uma imagem do futuro, imagine uma bota prensando um rosto humano para sempre", escreveu o autor.
O Estado que Orwell descreve é opressor e castrador. Ele crê eliminar todas as ideologias contrárias pela vigilância e opressão. Winston, personagem principal da obra, foge disso. E por fugir, tem sua liberdade e sua vida posta em risco. Mas um risco que vale, um risco necessário e aliviador até.
A leitura deste livro me levou a pensar no extremo a que pode chegar uma nação que bane a presença de Deus como seu criador. O Partido, na obra de Orwell, ocupa esse lugar. É o ponto de chegada e partida para todas as coisas. O Partido é o fim e é objeto de adoração. Não surpreende que seja opressor, ditador e assassino.
Sem mais fôlego para escrever, mas se é necessário encerrar aqui... Eu recomendaria a leitura, sobretudo em conjunto com os clássicos da literatura de esquerda (digo, Marx & Cia). Dá um belo contraponto. Que Deus nos livre de um Estado totalitário assim.