Ontem assisti "Alta Fidelidade". De novo. Lembro que quando vi a primeira vez, gostei muito, mas não sabia precisar muito bem por quê. Não que eu saiba agora, mas depois de viver as experiências que vivi, posso ter uma noção do porque vale a pena passar duas horas em frente a tela para conhecer esta história.
O título do filme no original é exatamente o mesmo e ele já dá uma pista de que o filme não trata apenas de relacionamentos, mas é também um filme sobre música. A história começa com Rob sendo abandonado por sua namorada, Laura. A cena se passa na casa de Rob e ele tenta demover Laura da ideia de ir embora a qualquer custo. Sua namorada não cede e deixa Rob com uma série de questionamentos, dentre eles por que essa situação se repete em sua vida. Assim, ele lista seus "top 5" términos e vai contando a história de cada um deles e cada um possui sua própria trilha sonora. Música e vida se entrelaçam, revelando o que está mais intricado nas personagens. Assim, cada relacionamento de Rob tem uma trilha sonora. E não só na trama, mas a música tem um importante papel no filme até mesmo pelo fato dele ser dono de uma loja de discos.
Ao se perguntar por que sempre acaba abandonado, Rob segue revisitando seu passado e também lidando com seu rompimento atual. Nesse caminho, ele descobre e revela muito de si. Ele se mostra um cara egoísta, com seus medos, obsessivo e chega mesmo a distorcer a realidade se vitimizando. Acredito que por isso mesmo o filme encanta. Não se trata aqui da heroína típica de comédias românticas dos anos 90, mas, sim, um homem, mal resolvido, com suas questões e seus medos. Por extensão, pode se tratar de qualquer pessoa real.
O filme fala também da vida. Rob projetava nos seus relacionamentos sua sede existencial, seu desejo de saciedade. E, revivendo cada um deles, Rob se descobre despido de qualquer coisa que o pudesse proteger e completar. No fim, Rob descobre que, mesmo diante da impossibilidade de saciar nossa sede em um relacionamento, ele pode viver para uma pessoa apesar das suas fraquezas. E aqui a música novamente se apresenta uma forte interlocutora, sinalizando com “I believe" de Steve Wonder que ter esperança é uma necessidade humana. Gostei muito desse final. Não que seja surpreendente ou inusitado. Mas ele mostra o quanto pessoas de verdade têm o potencial de recomeçar.
Uma obra de
arte pode ser, em si, uma doxologia” (Francis Shaeffer)
Há tempos que
a reflexão sobre música, psiquê, louvor (eu ia escrever “doxologia”, mas vou
tentar tornar esse texto mais “palatável” rs) e cultura me acompanha, mesmo
antes de estudar Etnomusicologia no mestrado. A razão disso é até meio óbvia: o
gosto pela música e pela arte. Como cristã, sempre me atraíram tais discussões.
Daí, um dia,
de vídeo em vídeo no youtube, descobri uma pérola. Dois jovens que se atreveram
a abordar um tema talvez ainda polêmico (acho que já foi mais rs). Todos os
ritmos louvam a Deus? A resposta foi bem clara: não. Quem louva a Deus são as
pessoas, rs. Faz sentido. De fato, a pergunta poderia ser “todos os ritmos nos
levam a contemplar a Cristo?” Ao invés de responder, o vídeo propõe princípios.
Sob esses princípios é que pretendo tecer meus comentários.
Antes de
adentrar o assunto, gostaria de frisar aqui uma distinção que foi levemente
sugerida no vídeo: arte da igreja e
arte para igreja (conforme coloca
Shai Linne, um rapper cristão americano). No vídeo, os rapazes tratam,
basicamente, de arte para igreja, mas penso que, por vezes, as duas podem se
entretecer... Enfim, vou falando na medida em que couberem os pensamentos.
Sobre a
didaticidade do canto... Penso que esta pode ser uma das questões mais
problemáticas do canto congregacional. Eu diria que não só pelas letras das
canções, mas nossa hinologia atual (parece até um contrassenso usar essas duas
palavras rs) é muito pouco pensada para igreja... Quando é pensada para a
igreja, nós temos composições apelativas, que partem muito mais dos anseios do
homem do que da contemplação de Deus. Falta muito preparo nos músicos.
Conhecimento da palavra, boa teologia e também da música. Esta, já uma questão
complexa, posto que a grande maioria são amadores. Ainda assim, não vejo isso
como um impeditivo de se compor e executar uma boa música. Conheço músicos que
não são tão virtuosos assim e podem executar peças belíssimas. Mas enfim... Divagações.
Sobre esta questão ainda, pensei no caso de hinos tradicionais que já se
distanciaram bastante de nosso português atual. Ok. Hinos tradicionais dizem o
que outros não dizem mais, mas... Será que todo mundo entende o que são “vagas
procelosas” quanto cantamos? Uma questão a se pensar...
Sobre a
moldura e o quadro... De fato, a música litúrgica tem a característica de
servir ao canto, à palavra, à congregação. Mas fico me perguntando sobre a
construção do altar de Salomão... Qual a finalidade daqueles leões? E o templo,
com todos aqueles ornamentos? Nem tudo tinha finalidade ou, pelo menos, a
finalidade que enxergamos de imediato. Não me considero musicista, mas,
possivelmente, por ter estudado um pouco de música, meu ouvido certamente se
atrai pela moldura por si só ou pela pintura por si só. Entendo Shaeffer quando
ele diz que Deus se interessa pela beleza. E, sim, a beleza (e aí, digo em
sentido amplo) me leva a contemplar a Deus. Vale ressaltar que isso é apenas
uma reflexão... Ainda não tenho resposta satisfatória sobre o lugar da
contemplação na liturgia protestante. Talvez o piano, o violino e o banjo da
igreja do interior de SP apontem caminhos...
Outro ponto
abordado no vídeo trata da congregacionalidade. Questão muito relevante para se
pensar. Vejo muitas canções serem executadas na igreja que não foram nem um
pouco pensada para igreja. E aí, eu sou levada a apontar o dedo mesmo: músicas
com linhas melódicas difíceis, uma tessitura musical que ora só voz feminina
canta, ora só voz masculina. De fato, os instrumentistas precisam compreender
que estão ali para a congregação cantar e ponto. O que tocar, então? Bem... Vou
citar um exemplo do que eu faço. Eu tenho um registro de voz que alcança alguns
graves e alguns agudos (mezzo). Eu executo a música e antes mesmo de ensaiar,
peço para outras pessoas com registro de voz diferentes (homens, outras
cantoras) cantarem. Se estiverem confortáveis, é bem mais provável que a igreja
esteja. Mas esse é só um exemplo. O importante é realmente pensar o que fica
mais digerível para toda a congregação. Nisso, fecho com os rapazes. Mas, antes
de encerrar o ponto, pensando pelo lado didático, penso que a música, em si,
traz aspectos que podem ser aprendidos também. Deixa eu ser mais específica:
pensemos no trabalho de compositores que fugiram à ditadura 4/4 e, em suas
igrejas, levaram lindas canções que a comunidade aprendeu e se habituou a
cantar... Pensemos no baião de Bomilcar (salmo 150) que é um baião, mas se adequa
perfeitamente ao canto comunitário. Isto só pra lançar a pergunta.
Por fim, a
resposta. Acredito que seja meio que óbvio dizer que fica difícil usar
qualquer/todos os ritmos para louvar a Deus. Por que não? Essa é uma questão
bem complexa que envolve os aspectos cognitivos e culturais da música. Deixe-me
pôr de uma forma mais simples. O rock. O que foi o rock na época e o que esse
ritmo significava? Ao pensarmos nesta questão, nos vêm à mente toda uma rede de
significados que são culturais. Disse uma vez um etnomusicólogo inglês, John
Blacking, que o artista sintetiza o discurso de seu tempo e lugar. Nada poderia
ser mais concreto. Eu não poderia fazer música tradicional japonesa porque não
a conheço, não tenho proximidade nenhuma com ela. Sendo assim, é possível que
se me apresentarem esse tipo de música e disserem que é louvor a Deus, eu
acredite ou, ainda, se ela for feita para adorar outros deuses, eu a ouça e ela
não me fira. Note que eu disse apenas “é possível”. Mas então... Antes de
entrar no funk, vou pegar mais pesado. E o ponto de macumba? Será que um
percussionista que tocava ponto e se converta vai conseguir continuar tocando
ponto? E se tocar, vai conseguir louvar a Deus com esse ritmo? Nesse ponto, eu
nem relativizo. É óbvio que não. Vários motivos, porque há toda uma rede de
associações que vai remetê-lo a significados que o distancie de Deus. Há também
a relação da música com a nossa psique. Alguns estudos que li (interessante ver
o documentário do Oliver Sacks: Tales of music and the brain) apontam caminhos
para a relação da música com nosso estado fisiológico e mental. Sabe aquela
história de acalmar as vacas para elas ficarem com a carne menos contraída para
o abate? Por aí... A música pode ser, sim, pensada para veicular e orientar
estados de espírito. Penso que todo compositor cristão deveria refletir um
pouco sobre isso.
Finalmente,
pra fechar rs. Pelas razões descritas acima, eu vou discordar dos rapazes, ao
menos, considerando o meu histórico de vida. É possível que se eu fosse
francesa e ouvisse o funk carioca e gostasse, tal estilo poderia ser usado para
louvor e adoração. Mas eu não sou rs. A batida, para mim, é imediatamente
associada com vizinhos barulhentos, egoísticas (pois colocam o som alto pra
eles) e moças do tipo “piriguetes” que pregam o oposto daquilo que acredito que
uma mulher deveria ser. Não sinto o mesmo com o rock. Porque as associações que
faço já são bem outras e, confesso, que gosto muito do som da guitarra rs.
Então é isso.
Discussão longa. Longe de terminar por aqui... Que Deus nos ensine, sim, a
contemplar o belo. Comecemos pela criação. Que toda a beleza que pudermos ver
nos digam da grandiosidade de Deus, nosso Pai.
Não é sempre que me dá uma certa ansiedade de ouvir um estilo determinado de música. Hoje a melancolia me fez companhia e, com ela, veio a lembrança do fado. Comecei por Dulce Pontes (não a considero exatamente uma fadista, mas ela bem que arrisca lá suas notas) e estou terminando por Mariza. Esta, aliás, em uma "palhinha" no programa do Jô mostrou ter um sotaque brasileiro impecável. Fiquei impressionada. Mas, voltando ao fado... O fado faz companhia a solidão e ao lamento de forma esplendorosamente bela. E Mariza, como "cantadeira de fado", entende bem isso. Mas, se me permitem, não sei se a chamaria de tradicionalista como ela mesma se declara. Em um sentido pode ser, mas ela dá uma roupagem nova ao fado e uma melancolia própria do nosso tempo, um deslocamento, um desencaixe que... Pensando bem, não seria isto algo inerente à tristeza do artista? Vamos ao fado.
Esse ano consegui ver um longazinho do Anima Mundi. Há tempos não sabia o que estava acontecendo no festival, mas este ano eu tive uma oportunidade e agarrei. Gostaria de dizer mais sobre o festival, mas só vi um longa. Então é sobre ele que vou comentar: Lisa Limone ja Maroc Orange: tormakas armulugu. Trata-se de uma produção da Estônia de 2013 cuja história tem como pano de fundo a trajetória de um herói do povo que casa com a filha de um empresário. Tecnicamente, o filme é primoroso. Já o roteiro... Deixou a desejar, sem contar algumas cenas um tanto quanto sem propósito. Há quem veja muita filosofia em uma pena caindo, mas às vezes, a "pena" é só uma pena caindo. Parece-me uma tendência nas produções atuais que se intitulam ou são intituladas "cult". Afinal, o que é esse tal de "cult" mesmo, hein?
"But Lancelot mused a little space;
He said, 'She has a lovely face;
God in his mercy lend her grace,
The Lady of Shalott.'"
Os versos acima são de um poema de Alfred Lord Tennyson chamado "The Lady of Shallot". Contam sobre uma dama que vivia em um quarto tecendo o que podia ver da vida através de um espelho. Um belo dia ela cansa de ver "sombras" e se lança para fora do quarto. O espelho se quebra e a maldição vem sobre ela, matando-a. A dama de Shallot foi atraída para o mundo exterior ao ver Sir Lancelot e, já morta, o cavaleiro a vê e diz as palavras acima ("ela tem um rosto amável; Deus, em sua misericórdia, a emprestou graça", em um esboço de tradução rs). A dama de Shallot sintetiza em nós a busca pela realidade, ainda que sofra as consequências. Não vemos o todo, como Paulo coloca em I Coríntios 13, mas vemos aquilo que Deus nos revela a cada dia e isto basta.
"A arte cristã é a expressão da vida integral da pessoa toda que é cristã. Aquilo que o artista cristão retrata em sua arte é a totalidade da vida. A arte não deve ser apenas um veículo para um tipo de evangelismo autoconsciente.
Se, portanto, o cristianismo tem tanto a dizer sobre as artes e ao artista, por que temos produzido tão pouca arte cristã nos últimos tempos? Creio que a resposta já deve estar clara. Não temos produzido arte cristã porque temos nos esquecido de quase tudo o que o cristianismo diz sobre as artes." (Francis Shaeffer, A Arte e a Bíblia)
A despeito de todas as críticas (uma, em especial, muito contundente) e comentários contra, acabei cedendo à minha curiosidade e indo assistir Noé. É... A primeira coisa que pensei quando saí da sala foi "ainda bem que paguei meia". Pois sim... Trata-se de um filme roliudiano que se propõe a ser o que ele veio a ser: um desses filmes catástrofes com um enredo como pano de fundo que dê motivo para as cenas de computação gráfica.
Muitos cristãos foram às salas de cinema, esperando ver algo do relato bíblico sobre Noé. Mas um diretor que, pelo que ouvi falar (não consegui confirmar esta informação), é um judeu que se tornou ateu nunca poderia tratar da história de Noé teologicamente. Sim, nem teologicamente, pois é impossível a um ateu fazer teologia.
O filme apresenta um deus distante e incompassivo ao qual nem sequer chamam "Deus". É o Criador. Um Noé obstinado a seguir seu chamado que, aliás, nem fica claro no filme como se dá. Afora os vários elementos que aparecem como por mera mágica.
Ainda que se assistisse pelo enredo. Há momentos, em que a história se arrasta e o filme chega a ficar cansativo, como se faltasse aquela nota de resolução. E, falando em música, a trilha sonora (como sempre, o que mais presto atenção) mostra-se apelativa, sempre criando clima de tensão, de medo.
Tive a chance de assistir Cisne Negro (filme anterior do mesmo diretor) e mal posso reconhecer elementos que me façam acreditar que tenham sido do mesmo diretor. Se é para conhecê-lo, recomendo que assistam o filme anterior e aguardem o próximo. Aronofsky, certamente, não era o homem certo para Noé.
Assisti ontem (finalmente!) Blue Jasmine, o último filme do Woody Allen. Delicado e ácido ao mesmo tempo, o filme revela o quão frágil é nossa natureza humana. Uma mulher rica e falida que pede abrigo a irmã, vivendo em condições que, provavelmente, nunca imaginara viver, enfrentando outra realidade e tendo de lidar com um ambiente que só lhe causa desprazer. Tudo isso após o falecimento do marido (que a traía e a levou à falência). Pude reconhecer aquelas velhas vozes de Allen em algumas cenas. Sua falta de pudores e aquele humor fino e ácido de sempre. Some-se isso tudo à belíssima atuação de Cate Blanchet. Enfim, belo filme!
Realmente não lembro se já postei isso aqui. Pelo sim e pelo não, estou postando hoje. Trata-se de um pequeno vídeo de um encontro do Luiz Arcanjo e do João Alexandre. Vale a pena assistir sobretudo pelas colocações do João Alexandre. Gostei e endosso aqui o que ele fala.
O dia hoje foi excepcionalmente cheio. Tanto que estou postando em uma hora em que, geralmente, quero distância do mundo virtual. Mas enfim, a causa é boa rs.
Estive hoje com duas amigas, uma delas, artista plástica e engrenamos em uma conversa sobre artes plásticas. Foi ótimo. Discutimos em particular a exposição da artista. Para saber mais sobre ela, acesse o site: http://claudiadowek.com/.
Prometo que de uma próxima vez, tento falar mais sobre o trabalho da Claudia. Vem mais coisas por aí.
Na sequência de grandes violonistas, gostaria de lembrar do Al Di Meola, que além de ter feito parcerias com Paco de Lucia, tem em seu repertório pérolas da música argentina (como Libertango, de Piazzolla). De mãos leves e sutis, pegada ágil ao violão, Meola dá uma linda interpretação a Milonga del Angel, também composta por Piazzolla. Um belo contraste ao Carnaval, hein?
Vou abrir essa série, fazendo uma homenagem a um dos maiores divulgadores da música flamenca no mundo: Paco de Lucia. Ele morreu ontem no México, mas seu legado, com certeza, vai permanecer por muito tempo ainda.
Arte de rua. Uma fantasia, que de tão fantasia, concretiza-se em nossas mentes. Uma exacerbação do que é ser urbano. Crônica da cidade. Assim é Banksy. Quanto sabemos de fantasia? E quanto pensamos que sabemos da realidade? Quanto de nossos conceitos não estão mortos em si?
Hoje vou postar aqui um bom e velho blues que foi indicado por uma amiga. Aliás, não sei se blues ou gospel, um gospel daqueles que tem endereço lá pela Carolina do Sul, nos EUA.
Uma coisa que todo músico devia saber pra não perder o foco na hora de fazer sua arte:
"Se a gente faz uma coisa bem demais, aí, depois de algum tempo, se não tiver muito cuidado, começa a se exibir. E aí a gente deixa de ser bom de verdade." (J. D. Salinger, O Apanhador no Campo de Centeio)
Vi há poucos dias O hobbit: a desolação de Smaug. Como sempre, linda fotografia, boa trilha sonora. Um trabalho primoroso. Na parte técnica, senti somente que em alguns momentos carregaram na trilha sonora e nos efeitos de computação. Deu pra perceber também a preocupação com a adaptação da obra literária para o formato cinematográfico. Ficou bom. É claro que sempre haverá diferenças, ajustes a fazer, mas o filme, como um todo, é muito bem feito.
Considerando a época em que o livro foi escrito, o filme nos faz lembrar também os períodos de guerra e de rumores de guerra e o quanto a paz mundial é algo delicado melindroso. Esta é uma questão a ser explorada no filme.
Temos também a figura do frágil e pequeno hobbit que marcha com determinação na companhia dos seus amigos anões. Determinação esta que se desenvolve no personagem ao longo da história. Mas este mesmo hobbit que se dispõe a ajudar seus companheiros é quem esconde consigo um mal sobremodo grande e destruidor. Novamente um hobbit, novamente um pequeno e, como no Senhor dos Anéis, alguém que acaba se deixando seduzir pelo mal. Contudo, a união de todos (anões, homens, elfos) contra o mal (pois todos lutam contra os orcs) aponta para um desfecho não tão desolador e que, sabemos, na trilogia do Senhor dos Anéis terá sua redenção.
A melhor pedida é, creio eu, ler primeiro antes de ver a adaptação para o cinema. Mas caso você não tenha lido (como eu), fique atento a estas e outras questões que a história levanta. E bom filme!
Hoje vou deixar que a música veicule minhas palavras. A inspiração veio com a mensagem do culto de ontem, de Ano Novo que foi sobre Eclesiastes 3 (1-8). A música do The Byrds tem como base o mesmo texto. Que em 2014 aprendamos ainda mais a contar os nossos dias. Feliz Ano Novo!
"Certamente, nem toda arte é Deus falando como uma musa inspiradora por meio de um artista. Em vez disso, é a natureza humana que cria. O artista como ser humano não desaparece, deixando a musa inspiradora sozinha falar. Portanto, podemos considerar o seguinte salmo da Septuaginta uma poesia escrita por Davi simplesmente como poesia:
Eu era pequeno entre meus irmãos
E o mais jovem na casa de meu pai.
Cuidava das ovelhas de meu pai.
Minhas mãos formaram um instrumento musical
E meus dedos tocavam o saltério.
E quem dirá ao meu Senhor? O próprio Senhor, ele mesmo ouve.
Ele enviou o seu anjo
E me tirou das ovelhas de meu pai.
E ele me ungiu com o óleo de sua unção.
Meus irmãos eram belos e altos,
Mas o Senhor não teve prazer neles.
Eu saí ao encontro do filisteu
E ele me amaldiçoou com seus ídolos.
Mas eu desembainhei sua espada e o decapitei
E removi o opróbrio dos filhos de Israel."
(Francis Schaeffer, A Arte e a Bíblia, p. 31-32, grifo meu)
Céu azul e brilhante na capital carioca. Passando o dia com os sobrinhos. Vamos à praia, contemplar as belezas que fez o nosso Criador.
Comecei há poucos dias a leitura de A Arte e a Bíblia, do Francis Schaeffer. À medida que a leitura for avançando, venho aqui contar minhas descobertas. Por enquanto, posso dizer que está sendo um presente a leitura. Schaeffer tinha muita razão em criticar o modo como vemos a arte. Seu livro continua atualíssimo (mesmo após décadas).