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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Caminho da sandice

Hoje, apesar de ser Dia do Mestre, vou trabalhar. Como disse uma professora minha, optei pelo caminho da sandice. Mas não me arrependo. Venho colhendo bons frutos. Venho aqui deixar minha pequena homenagem àqueles que nos permitem ter um papel na sociedade e, assim, dar nossa contribuição para que o mundo seja mundo. Segue uma leitura de Machado de Assis postada no site Releituras. Feliz Dia do Mestre!


Um Apólogo

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora?  A senhora não é alfinete, é agulha.  Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa!  Porque coso.  Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você?  Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser.  Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco?  Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas?  Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha: 
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico. 
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!

Texto extraído do livro "Para Gostar de Ler - Volume 9 - Contos", Editora Ática - São Paulo, 1984, pág. 59.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Por que a igreja canta?

Ah, o domingo nosso de toda a semana... Sei que estamos em plena 4af e vai demorar um tiquinho até o domingo. Mas, por isso mesmo, porque temos esse tempinho, gostaria de compartilhar hoje um texto que tem muito da nossa rotina, digamos, "cristã domingueira". Domingo é dia de cantar a Deus, de Lhe prestar culto e por que o fazemos e o fazemos em grupo. Por que cantar com a igreja? É sobre isto que trata o texto que quero mostrar e que cheguemos nas nossas igrejas no próximo domingo entendendo a importância de tão belo chamado. Uma boa reflexão.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Sobre o ofício

Saber que o trabalho de professor é ingrato todo mundo sabe. E não é de ontem! Machado de Assis já havia escrito o conto "O Apólogo" salientando tal questão. Mas... Ainda assim, há dias em que tomamos o poder de decisão nas mãos e dissemos "agora é minha vez".

Lembro-me das explicações de uma querida professora de português na faculdade que uma vez disse que "pupilo(a)" era aquele ou aquela que passava a enxergar quando nossos olhos de mestre já não podia mais e, num sentido, é isto que fazemos: damos vista aos nossos alunos. Mas o processo não é de mão única (ufa!) e, assim, no ensinar acabamos por aprender. Aprendemos sobre o ofício, sobre o assunto do qual tratamos e sobre pessoas e no cotidiano com elas é que vivenciamos o amor de Deus. Sim, trabalho ingrato, mas agraciado por nosso Pai Celestial.

sábado, 5 de julho de 2014

Tempo de luto

Não lembro bem se em Eclesiastes ou em Provérbios, mas em um destes livros o autor fala que há mais sabedoria no luto do que no banquete. E há mesmo. De tempos em tempos, nos vemos em situações limítrofes até tal qual a descrição de Davi: o "vale da sombra da morte". Creio que, precisamente, são nestas situações em que mais aprendemos de Deus. Não que o banquete não nos traga sabedoria, mas o período de provação carrega consigo uma imposição sobre o homem em se sujeitar sem defesas ao seu Criador. Somos confrontados conosco e com nosso modo de pensar, sentir e com nossa conduta. Lembro-me de Jó que, em seu sofrimento, meditou sobre a vida, sobre o perverso e reconheceu o quanto tinha de aprender sobre tudo. Inteligência humilhada. É, precisamente, num período de provação que estamos mais propensos a rever nossos caminhos. Embora doa e pareça, às vezes, insuportável, passado o luto, vemos o quanto crescemos em graça e amor.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A princesa e a ervilha

Há um conto de fadas que narra a seguinte história: um príncipe queria se casar, mas só aceitava se a candidata fosse uma princesa de verdade. Certo dia, uma moça bate à sua porta pedindo abrigo, dizendo ser uma princesa. Ele, então, comunica o fato à rainha-mãe que, prontamente, teve uma ideia. Ela fez uma cama de vários colchões, cobertas e tudo o mais que pudesse incluir e lá no fundo colocou uma ervilha. Disse ao filho que se ela fosse realmente uma princesa, seria sensível a tal ponto de sentir o caroço de ervilha debaixo de todos aqueles colchões e cobertas. A princesa, sem saber de nada, dormiu no leito preparado pela rainha e, ao amanhecer, acordou com certa dor nas costas. Indagaram-na sobre a causa de sua dor e ela afirmou sentir um pequeno caroço na cama. O príncipe teve, então, a certeza de que precisava e casou-se com a princesa. Termina aí a história.

Que Deus nos torne sensíveis a tal ponto de expurgarmos todos os caroços de ervilha que incomodam.

sábado, 21 de junho de 2014

A amizade por C. S. Lewis

Depois de um gap (agradeçam à bendita Copa), volto aqui para postar sobre mais um pouquinho do livro "Os Quatro Amores" do Lewis:

"A Amizade surge do mero Companheirismo quando dois ou mais companheiros descobrem que têm em comum alguma ideia, interesse ou mesmo gosto de que os demais não partilham e que, até aquele momento, cada um deles acreditava ser seu tesouro (ou fardo) especial. A expressão típica do início da Amizade seria algo como: 'O quê? Você também? Pensei que eu fosse o único'."

É isso. Um encontro de almas. Um "que bom que estamos do mesmo lado".


Ao meu melhor amigo, meu namorado e a todos os demais que partilham comigo desta jornada que se chama vida.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Oração de Davi em Crônicas

Diante de tantas canções substancialmente vazias em sua teologia, de "louvores" que são nada mais, nada menos que exaltação do próprio homem, encontro na oração que Davi fez pouco antes de seu filho Salomão ser proclamado rei um exemplo perfeito do que deve ser um louvor a Deus. A Ele, que é digno de toda nossa adoração. Criador dos céus e da terra, conhecedor de todas as coisas. Soli Deo Gloria.

"Por isso Davi louvou ao Senhor na presença de toda a congregação; e disse Davi: Bendito és tu, Senhor Deus de Israel, nosso pai, de eternidade em eternidade.
Tua é, Senhor, a magnificência, e o poder, e a honra, e a vitória, e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu é, Senhor, o reino, e tu te exaltaste por cabeça sobre todos.
E riquezas e glória vêm de diante de ti, e tu dominas sobre tudo, e na tua mão há força e poder; e na tua mão está o engrandecer e o dar força a tudo.
Agora, pois, ó Deus nosso, graças te damos, e louvamos o nome da tua glória.
Porque quem sou eu, e quem é o meu povo, para que pudéssemos oferecer voluntariamente coisas semelhantes? Porque tudo vem de ti, e do que é teu to damos.
Porque somos estrangeiros diante de ti, e peregrinos como todos os nossos pais; como a sombra são os nossos dias sobre a terra, e sem ti não há esperança.
Senhor, nosso Deus, toda esta abundância, que preparamos, para te edificar uma casa ao teu santo nome, vem da tua mão, e é toda tua.
E bem sei eu, Deus meu, que tu provas os corações, e que da sinceridade te agradas; eu também na sinceridade de meu coração voluntariamente dei todas estas coisas; e agora vi com alegria que o teu povo, que se acha aqui, voluntariamente te deu.
Senhor Deus de Abraão, Isaque, e Israel, nossos pais, conserva isto para sempre no intento dos pensamentos do coração de teu povo; e encaminha o seu coração para ti.
E a Salomão, meu filho, dá um coração perfeito, para guardar os teus mandamentos, os teus testemunhos, e os teus estatutos; e para fazer tudo, e para edificar este palácio que tenho preparado.
Então disse Davi a toda a congregação: Agora louvai ao Senhor vosso Deus. Então toda a congregação louvou ao Senhor Deus de seus pais, e inclinaram-se, e prostraram-se perante o Senhor, e o rei."

1 Crônicas 29:10-20

terça-feira, 27 de maio de 2014

The Lady of Shallot

"But Lancelot mused a little space;
He said, 'She has a lovely face;
God in his mercy lend her grace,
The Lady of Shalott.'"     

Os versos acima são de um poema de Alfred Lord Tennyson chamado "The Lady of Shallot". Contam sobre uma dama que vivia em um quarto tecendo o que podia ver da vida através de um espelho. Um belo dia ela cansa de ver "sombras" e se lança para fora do quarto. O espelho se quebra e a maldição vem sobre ela, matando-a. A dama de Shallot foi atraída para o mundo exterior ao ver Sir Lancelot e, já morta, o cavaleiro a vê e diz as palavras acima ("ela tem um rosto amável; Deus, em sua misericórdia, a emprestou graça", em um esboço de tradução rs). A dama de Shallot sintetiza em nós a busca pela realidade, ainda que sofra as consequências. Não vemos o todo, como Paulo coloca em I Coríntios 13, mas vemos aquilo que Deus nos revela a cada dia e isto basta.


The Lady of Shallot - Loreena McKennit



domingo, 25 de maio de 2014

Os amores segundo Lewis

"O Amor-Necessidade clama por Deus de nossa pobreza; o Amor-Doação deseja servir a Deus, ou sofrer por Ele; o Amor Apreciativo diz: 'Nós te damos graças por tua grande glória.' O Amor-Necessidade diz de uma mulher: 'Não consigo viver sem ela'; o Amor-Doação deseja proporcionar a ela felicidade, conforto, proteção - e, se possível, riqueza; o Amor Apreciativo a contempla, e prende a respiração, e se cala, e se alegra por tamanha maravilha existir, mesmo que não para ele, e não se sente inteiramente deprimido por perdê-la, e preferiria perdê-la a jamais tê-la visto.

Mata-se ao dissecar. Na vida real, graças a Deus, os três elementos do amor se misturam e sucedem um ao outro a cada instante. Talvez nenhum deles, com exceção do Amor-Necessidade, jamais exista sozinho, em pureza 'química', por mais de alguns segundos. E talvez seja assim porque nada em nós, com exceção de nossa privação, é permanente nesta vida."

                                                                                    (C.S. Lewis, Os Quatro Amores, grifo meu)

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Dust in the wind

I close my eyes
Only for a moment and the moment's gone
All my dreams
Pass before my eyes with curiosity
Dust in the wind
All we are is dust in the wind
Same old song
Just a drop of water in an endless sea
All we do
Crumbles to the ground, though we refuse to see

Dust in the wind
All we are is dust in the wind
Now don't hang on
Nothin' lasts forever but the earth and sky
It slips away
And all your money won't another minute buy
Dust in the wind
All we are is dust in the wind
(All we are is dust in the wind)
Dust in the wind


Os versos acima são de uma banda chamada Kansas (anos 80) e foram regravados por outros cantores. É uma canção que, certamente, foi além de seu tempo. Não por ter sido regravada, mas pelo seu conteúdo. Ela fala da fragilidade humana e do quão impotente somos. Vejo nela um diálogo com o livro de Jó e com várias outras passagens bíblicas. "...all your money won't another minute buy" (todo o seu dinheiro não vai comprar um minuto). Somos "poeira no vento". Somos pó, "embora nos recusemos a ver". E como nos recusamos! Até que uma calamidade aconteça e nos pare. Um problema de saúde, tragédias naturais, enfim... Como foi a resposta de Deus a Jó depois que Jó contendeu com Deus: onde estavas quando lancei os fundamentos da terra? E Deus segue falando de como estabeleceu a criação e do quanto Jó era pequeno diante disso tudo. Nossa única esperança está nEle. Por Ele, pra Ele e nEle vivemos e existimos.


P.s: A letra traduzida pode ser encontrada aqui e a canção, aqui.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Sobre Cantares de Salomão

"Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho.
Suave é o aroma dos teus unguentos; como o unguento derramado é o teu nome; por isso as virgens te amam.
Leva-me tu; correremos após ti. O rei me introduziu nas suas câmaras; em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; os retos te amam."

Cânticos 1:2-4

Reli ontem Cantares de Salomão. É o tipo do livro que é bom ser lido com o seu/sua respectivo(a). Eu o li com o meu namorado. Foi uma leitura que me suscitou algumas questões e constatações. Primeiro, como sugere Schaeffer, Deus se importa com a beleza. Cantares é poético, é artístico e compõe o cânon sagrado das Escrituras. Segundo, o livro trata do amor entre um homem e uma mulher... Isso me fala do quanto este assunto é importante e sagrado para Deus. Terceiro, sim... Lembrei-me da analogia de Cristo com a Igreja, do quanto Cristo se doou e se dá pela Igreja. Ainda não tenho uma leitura aprofundada do livro, mas espero que de uma próxima vez, eu tenha mais outros insights. É um livro para ser contemplado, admirado, vivido.

sábado, 5 de abril de 2014

Arte como doxologia

"A arte e a ciência têm um lugar na vida cristã - não são periféricas. Para o cristão, redimido pela obra de Cristo e que vive segundo as normas das Escrituras e sob a liderança do Espírito Santo, o senhorio de Cristo deve incluir o interesse pela arte. O cristão deve usar a arte para glorificar a Deus, não simplesmente como propaganda evangelística, mas como algo belo para a glória de Deus. Uma obra de arte pode ser, em si, uma doxologia.

(Francis Schaeffer, A Arte e a Bíblia, grifo meu)

terça-feira, 1 de abril de 2014

O tempo de cada coisa

"Tudo tem seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu" (Ecl. 3:1)

No livro de Eclesiastes, o autor afirma que não só há um tempo determinado para tudo, como há um tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de plantar, de colher, de rir, de chorar... De ajuntar pedras e espalhá-la (o que interpreto como fazer e desfazer alianças). Há tempo de abraçar e de afastar-se de abraçar. Tempo a ser respeitado, aceito com mente e coração.

Vivemos em um período que desrespeita o tempo das coisas. Desrespeita o nosso tempo. Sofremos com isso, pagamos um preço. Penso que o tempo de Deus é um tempo redimido, um tempo que nos constrói, restaura. Ele não nos destrói, nos consome como é o tempo da nossa época.

Saber respeitar o tempo, aguardá-lo, abraçá-lo. Eis aí um grande desafio. Que Deus nos dê sabedoria nesse caminhar.

domingo, 30 de março de 2014

1984

Acabei a leitura de 1984, de George Orwell. Gostei. Até mesmo porque era uma dívida que eu tinha para comigo. O texto causou impacto em alguns momentos, em outros, confesso que não me surpreendeu. Mas senti assim... Aquele tapa de luva de pelica. A obra é mais que uma nota, uma observação, é uma análise ácida e contundente de tempos pelos quais poderíamos passar: "Se você quer uma imagem do futuro, imagine uma bota prensando um rosto humano para sempre", escreveu o autor.

O Estado que Orwell descreve é opressor e castrador. Ele crê eliminar todas as ideologias contrárias pela vigilância e opressão. Winston, personagem principal da obra, foge disso. E por fugir, tem sua liberdade e sua vida posta em risco. Mas um risco que vale, um risco necessário e aliviador até.

A leitura deste livro me levou a pensar no extremo a que pode chegar uma nação que bane a presença de Deus como seu criador. O Partido, na obra de Orwell, ocupa esse lugar. É o ponto de chegada e partida para todas as coisas. O Partido é o fim e é objeto de adoração. Não surpreende que seja opressor, ditador e assassino. 

Sem mais fôlego para escrever, mas se é necessário encerrar aqui... Eu recomendaria a leitura, sobretudo em conjunto com os clássicos da literatura de esquerda (digo, Marx & Cia). Dá um belo contraponto. Que Deus nos livre de um Estado totalitário assim.

Boa semana!


domingo, 23 de março de 2014

Oração

"Não permita que a oração seja o seu último recurso em tempos de necessidade; faça-a ser o primeiro." (Pão Diário, agenda 2014. Publicações RBC)

Isso mesmo. A frase acima foi tirada de uma agenda que ganhei de uma amiga. Fez muito sentido para mim. Em tempos de necessidade, é comum que corramos de um lado para outro, tentando por nossos próprios esforços resolver problemas. Longe de mim dizer que não devemos tentar ou mesmo fazê-lo. A questão que se coloca é se deixamos Deus guiar o processo ou se O excluímos.

Dentre as minhas várias resoluções ao longo da caminhada, uma delas é esta: não deixar que a oração seja o último recurso, mas, ao contrário, que ela seja o que se propõe a ser: relacionamento com Deus e comunhão com Ele.

Uma boa semana!

sexta-feira, 21 de março de 2014

Orwell por Orwell

Dia cheio. Mais um bom papo sobre arte (este assunto está me cercando rs...). Creio que vá render bons frutos. Mas enfim... Passei por aqui hoje pra deixar uma citação de George Orwell, autor que estou lendo no momento. Vejam só o que ele diz sobre seu trabalho:

"O meu ponto de partida é sempre um sentimento de partilha, uma noção de injustiça. Quando me sento para escrever um livro, não digo para mim 'vou produzir uma obra de arte'. Escrevo porque existe alguma mentira para ser denunciada, algum fato para o qual quero chamar atenção, e acredito sempre que vou encontrar quem me ouça. Mas não seria capaz de escrever um livro ou um longo artigo de revista se não existisse nisso também uma experiência estética."

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Mentiras impostas

Lendo 1984 de George Orwell (finalmente!), me deparei com o seguinte trecho:

"E se todos os outros aceitassem a mentira imposta pelo Partido - se todos os anais dissessem a mesma coisa -, então a mentira se transformava em história, em verdade. "Quem controla o passado", dizia o lema do Partido, "controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado". E no entanto o passado, conquanto de natureza alterável, nunca fora alterado. O que agora era verdade era verdade do sempre ao sempre."

Não pude achar mais plausível a mesma afirmação pra nossa realidade. Olhemos pra Cuba e para o que a esquerda tem feito lá.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O quanto Deus se importa

"Ao ler o Velho Testamento, vemos que Deus fala sobre coisas como a importância de fazer as necessidades num buraco, porque do contrário as pessoas acabariam pisando naquilo, e cremos que Deus realmente se importa com as minúcias de nossa vida. O resultado disso é que, na cultura do reino, a teologia torna-se tremendamente prática e associada ao modo como vivemos a cada dia, como trabalhamos, lavamos a louça e escovamos os dentes para a glória de Deus."

                                                                (Mark Driscoll, Reformissão, p. 185, grifo meu)

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Unindo Igreja, Evangelho e Cultura


Um jovem pastor para uma cidade babilônica. Uma das formas de se entender o livro Reformissão, do Mark Driscoll. Baseado em suas experiências com sua igreja (Mars Hill) sediada em Seattle, Driscoll tem como principal proposta falar de missões, unindo Evangelho, Igreja e Cultura.

Para iniciar a leitura de Reformissão, é bom ter em mente o que o autor entende por cultura. Ao fluir da leitura, é possível perceber que Driscoll trabalha com um conceito base de cultura e alguns outros que vão surgindo dentro de contextos específicos, mas nem por isso, deixando de turvar um pouco o texto. Em todo caso, o autor entende cultura de uma forma dinâmica e que não se atém a coisas, objetos ou práticas e usos, mas vai além: atinge nosso modo de pensar, ser e conviver.

Seguindo, o livro discute o modelo que temos de missão e propõe a reformissão a partir do próprio modelo de Cristo. Discute a forma como nos aproximamos de pessoas não-cristãs e como Jesus fazia isso de forma a guardar o Evangelho e, ao mesmo tempo, compartilhá-lo. Segundo o autor:

“a reformissão é, fundamentalmente, ser como Jesus, por meio de sua graça transmissora de poder. Um dos pontos-chave subjacentes à reformissão é a compreensão de quem nem a liberdade de Cristo nem a nossa liberdade em Cristo subentendem uma permissão para chegarmos tão próximo quanto possível do pecado, contanto que não cruzemos o limite.”
                                                                                                       (DRISCOLL, p. 39-40)


Acrescentando, Driscoll mostra como os evangelhos comunicaram as boas novas considerando o contexto cultural. Entrando na questão da união da Igreja com a Cultura (aqui, em um dos seus conceitos, “cultura” seria o contexto cultural específico a um determinado lugar). Para ele, a reformissão não é algo que se faz, mas algo que se é, o que, em termos de missões, faz muito sentido, pois Cristo não deixou de ser Cristo da forma que pregou o Evangelho, mas, ao contrário, Ele se reafirmou como Filho de Deus ao fazê-lo como fez, desafiando as práticas que se distanciavam da vontade do Pai.

Na segunda parte do livro, a discussão se aprofunda em como nós, cristãos, nos relacionamos com os não-cristãos e com nossa cultura. Para tal, o autor trata da reformissão dentro da cultura e ilustra com algumas questões cuja forma de serem tratadas, transparecem regras impostas culturalmente.

Todo o livro é enriquecido com depoimentos e relatos da própria experiência do pastor que o escreve. É de uma leitura muito clara, límpida e bem humorada que nos leva a pensar sobre nossos próprios preconceitos e de como somos imbuídos por falsos ensinamentos dentro de nossa própria cultura. Entender que não estamos imunes a uma gama de práticas, usos, ideologias de nossa época e que é incumbência nossa, aprendermos a viver dentro de nossos contextos e comunicarmos o Evangelho dentro de nossas próprias vivências é, sem dúvida, um grande tesouro que encontramos nesta obra.


Fonte: DRISCOLL, Mark. Reformissão: como levar a mensagem sem comprometer o conteúdo. Niterói, RJ: Tempo de Colheita, 2009.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Adams e o ateísmo

Estou lendo O guia do mochileiro das galáxias, de Douglas Adams. Sem dúvida, um humor de fino trato. Mas o que me chamou a atenção foi uma certa fé na Ciência e na ausência de Deus. Adams era ateu convicto (uma coisa que acho difícil entender). Há uma passagem no livro em que dois filósofos discutem o papel da Ciência na busca pelas questões fundamentais da vida. Segue um trechinho desta parte para vocês mesmos sentirem essa questão:

"-Essas máquinas têm mais é que fazer contas -  disse Majikthise -, enquanto nós cuidamos das verdades eternas. Quer saber a sua situação perante a lei? Pela lei, a Busca da Verdade Última é uma prerrogativa inalienável dos pensadores. Se uma porcaria de uma máquina resolve procurar e acha a porcaria da Verdade, como é que fica o nosso emprego? O que adianta a gente passar a noite em claro discutindo se Deus existe ou não pra no dia seguinte essa máquina dizer qual o número do telefone dele?"

                                                          (Douglas Adams, O guia do mochileiro das galáxias)