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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Espelhos

Vejo na tua dor, a minha. E na minha dor, a tua.

Vivemos na era do "autismo emocional". Como bem disse um filósofo desta era pop, quando um chega para o outro e diz algo como "estou com gastrite", seu interlocutor retribui: "e eu, com úlcera ". O que está acontecendo?

Há quase nenhuma empatia entre nós, há quase nenhum "você também! ", como disse C.S. Lewis. Conversamos  com "outro", sendo que o "outro" é nosso próprio umbigo, é nosso eu. Vivemos como que em espelhos, enxergando reflexos e conversando conosco mesmo.

A difícil arte de dialogar. Dia = através. Logo = palavra. Tua palavra me penetra, percorre meu ser e me transforma. Essa transformação produz em mim um desejo de reagir e gera um pensamento que traduzo em palavras e as expresso para que você o entenda (ou não).

Não existe comunicação sem empatia. Não existe empatia sem amor. Que Deus nos ensine a amar, a nos solidarizarmos e então devemos recorrer a Paulo: "Alegrai-vos com os que se alegram. Chorai com os que choram."

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Encerrando o ano

Não sei se virá mais alguma postagem até dia 31/12 desse tão inusitado, sofrido, mastigado, embrutecido 2015. No caso de não vir, fica sendo este o último.

De uns anos pra cá tenho notado que uma canção ou outra torna-se marcante do momento em que estou vivendo. Em 2009, foi Roda Viva do Chico e esse ano tem dobradinha: Chico, de novo. Mas ao invés de algo mais "pra cima", é "Apesar de você" que ganha força. Explico.

Encerrando o ano com três cobranças indevidas, serviços mal prestados, sem contar que o samba caberia também para algumas pessoas, instituições e, claro: já pensou uma seresta pra Dilma com "Apesar de você" no repertório? Perfeito, não?

Mas enfim... Como canta o poeta: "Apesar de você, amanhã há de ser outro dia". E que venha 2016 porque 2015 já deu! Que venha um ano mais humano, mais justo, mais verdadeiro ao branco, ao negro, a todos. Um ano bíblico, pois como disse C.S. Lewis:
"Todo este cenário sombrio da humanidade é o resultado de sua própria busca pela felicidade em algo que está fora de Deus."

Que sejamos mais ouvintes, mais corajosos, mais amorosos, sejamos gente.

No mais, este singelo vídeo pode dizer melhor e como cantava John Lennon: "And so this is Christmas".





P.s: And a Happy New Year!

terça-feira, 29 de julho de 2014

E assim vai

Saudades de andar por estes pagos... Mais lacunas, menos tempo. Tempus fugit. Essa expressão, aliás, já está virando saliva na minha boca rs. Enfim... Passando pra dizer que consegui, no meio da correria, terminar mais uma leitura: "Os Quatro Amores", do C. S. Lewis. Faria uma resenha crítica do livro não fossem duas coisas: tempo e informação. O livro me pareceu bastante perspicaz, acurado como as observações de Lewis. Mas só me pareceu... Para algo mais concreto, eu precisaria de uma segunda leitura. Em todo caso, há trechos que, por si só, se explicam e valem a pena as passagens que passam em ignorância:

"Nós fomos feitos para Deus. É somente sendo de algum modo como ele, somente sendo manifestação de sua beleza, benevolência, sabedoria ou bondade, que nossos Amados terrenos podem ter despertado nosso amor." (p. 193)

Trata-se de uma obra que começa sem maiores pretensões e termina muito bem, convocando os leitores a atentarem para a Caridade como elemento que deve embasar todos os outros amores.

Assim me despeço. Vou mergulhar em outra leitura. Sim, porque ler é viver.

sábado, 21 de junho de 2014

A amizade por C. S. Lewis

Depois de um gap (agradeçam à bendita Copa), volto aqui para postar sobre mais um pouquinho do livro "Os Quatro Amores" do Lewis:

"A Amizade surge do mero Companheirismo quando dois ou mais companheiros descobrem que têm em comum alguma ideia, interesse ou mesmo gosto de que os demais não partilham e que, até aquele momento, cada um deles acreditava ser seu tesouro (ou fardo) especial. A expressão típica do início da Amizade seria algo como: 'O quê? Você também? Pensei que eu fosse o único'."

É isso. Um encontro de almas. Um "que bom que estamos do mesmo lado".


Ao meu melhor amigo, meu namorado e a todos os demais que partilham comigo desta jornada que se chama vida.

domingo, 1 de junho de 2014

O beijo

"Essa mistura e essa sobreposição dos amores se manifestam pelo fato de que, em quase todas as épocas e lugares, os três têm em comum o beijo como forma de expressão. Na Inglaterra moderna, a Amizade não o usa mais, mas a Afeição e Eros, sim. O beijo faz parte tão plenamente desses dois amores que hoje não é possível dizer qual dos dois o tomou emprestado do outro, se é que houve algum empréstimo. Pode-se dizer, sem dúvida, que o beijo de Afeição difere do beijo de Eros. Sim - mas nem todos os beijos entre amantes são beijos de amantes..."
     
                                                                                         (C. S. Lewis, Os Quatro Amores)

domingo, 25 de maio de 2014

Os amores segundo Lewis

"O Amor-Necessidade clama por Deus de nossa pobreza; o Amor-Doação deseja servir a Deus, ou sofrer por Ele; o Amor Apreciativo diz: 'Nós te damos graças por tua grande glória.' O Amor-Necessidade diz de uma mulher: 'Não consigo viver sem ela'; o Amor-Doação deseja proporcionar a ela felicidade, conforto, proteção - e, se possível, riqueza; o Amor Apreciativo a contempla, e prende a respiração, e se cala, e se alegra por tamanha maravilha existir, mesmo que não para ele, e não se sente inteiramente deprimido por perdê-la, e preferiria perdê-la a jamais tê-la visto.

Mata-se ao dissecar. Na vida real, graças a Deus, os três elementos do amor se misturam e sucedem um ao outro a cada instante. Talvez nenhum deles, com exceção do Amor-Necessidade, jamais exista sozinho, em pureza 'química', por mais de alguns segundos. E talvez seja assim porque nada em nós, com exceção de nossa privação, é permanente nesta vida."

                                                                                    (C.S. Lewis, Os Quatro Amores, grifo meu)

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A última crônica - ainda em Nárnia

"E, à medida que Ele falava, já não lhes parecia mais um leão. E as coisas que começaram a acontecer a partir daquele momento eram tão lindas e grandiosas que não consigo descrevê-las"
(C. S. Lewis em Crônicas de Nárnia)

Sabe um filme que a gente vê e o filme termina, mas continua reverberando em nosso coração e mente? Assim é com Crônicas de Nárnia. Escrevi aqui sobre o livro algumas vezes e sobre uma das minhas crônicas favoritas, A Cadeira de Prata. Descobri que a última crônica é tão surpreendente quanto. Fez lembrar, como o nome deste blog, nosso próprio caminhar enquanto peregrinos nesta terra. É isto. Concordo com Lewis: a melhor parte da nossa história ainda está por ser escrita, quando, finalmente, estivermos face a face com o Leão, com Aquele que é a razão do existir, Aquele que estabeleceu as bases deste mundo, com o Cordeiro de Deus.


quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Cristo e A Cadeira de Prata

Recentemente, li A cadeira de prata, que é a penúltima de As crônicas de Nárnia. Nesta, como nas outras, há a presença de crianças da Terra. O enredo trata de um príncipe desaparecido que as tais crianças vão ajudar a encontrar.

Pois bem. Jill e Eustáquio (as crianças) conseguem encontrar o príncipe desaparecido, mas que está sob encantamento de uma lindíssima dama que é, na verdade, uma feiticeira e ora se transforma em uma serpente perigosíssima. Quando o livro caminha para a resolução, em uma das cenas, o príncipe (sob sua forma encantada) conta às crianças que está prestes a ter um ataque e que eles não devem desamarrá-lo sob qualquer condição. Durante o ataque o príncipe era amarrado em uma cadeira de prata. Era neste momento, durante o ataque, que o príncipe se via livre do encantamento. Justamente quando estava preso.

Acho esta cena riquíssima em elementos, em sua simbologia, mas uma coisa, em especial, me chama atenção: a cadeira de prata, que é também o nome da crônica. A cadeira é onde o príncipe se mantém preso, mas também é sentado nela que ele tem lucidez.

Voltando à cena, o príncipe é liberto ao pedir às crianças que o soltem "por Aslam". Para quem leu uma das crônicas ou todas elas, Aslam é o próprio Cristo.

Penso que todos nós já passamos por períodos de "encantamento", de dormência dos quais precisamos ser libertos. E corremos pra Cristo, que é quem nos livrou das amarras do pecado e da escravidão. E penso também na cadeira de prata de Lewis. Entendo-a como um lugar de lucidez, um lugar de consciência real. Mesmo estando preso por cordas, o príncipe estava livre, pois era naquele momento que ele podia ser ele mesmo. Assim, nós. Em Cristo, nos conhecemos. Nele somos nós mesmos e Nele somos livres.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Mais Crônicas de Nárnia

De novo, o dilema da página em branco. Mas hoje, gostaria de repetir a dose e falar novamente sobre As Crônicas de Nárnia e da escrita. Estou na crônica A Cadeira de Prata. É incrível como a fluidez de Lewis nos leva a percorrer outros mundos. Nessa crônica não temos mais a presença dos quatro irmãos Pevensie que fizeram sucesso na primeira versão cinematográfica, temos o primo deles. E, como sempre, o principal elemento das crônicas, o Leão, que aparece logo de início.

O tema central é o desaparecimento do príncipe herdeiro de Caspian X (o "Príncipe Caspian" das outras histórias). Dois humanos são incumbidos por Aslam de encontrar o tal príncipe desaparecido - Eustáquio (A Viagem do Peregrino da Alvorada) e Jill. Estou no começo e já promete ser mais uma ótima história. Não parece que há pessoas especialmente dotadas de um talento que só Deus pode dar?