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terça-feira, 6 de abril de 2021

Estabilidade

 Hoje estive na minha psiquiatra e ela disse algo que não ouvia há uns 3 anos: "Estou te achando estável". Caro leitor, sim, hoje você vai ler sobre bipolaridade. A palavra "estabilidade" soa como música aos meus ouvidos. Soa como aquele troféu após uma corrida difícil. Soa como uma bela vista após 4 horas de trilha com trechos bem íngremes: "estou te achando estável". No meu entender, consegui "passar de fase" no videogame. Não fora só pronunciar "estável", ela sugeriu uma redução na dosagem da medicação. Uma pequena redução. Um teste. Um "veja como se sai" e amanhã vou poder dizer melhor...

Não é só a palavra "estabilidade", mas é tudo o que ela implica: exercício físico regularmente, medicação todos os dias, treinar a mente para perceber gatilhos, ter passado por um divórcio, por desilusões, frustrações, estar todo o tempo se autoavaliando, observando humor, fazendo anotações. Estabilidade também implica se conhecer, saber seus limites, trabalhar quando é possível e saber a hora de descansar, de parar. "Estabilidade". Que doce gosto o dessa palavra!

"Estabilidade" é algo a se conquistar, mas, confesso: pode não ser eterna. Um paradoxo talvez, mas é assim. Lide com a estabilidade como uma dádiva, como uma planta a ser cultivada. Plante em terreno fértil e regue regularmente. É a cada dia, a cada pôr-do-sol. É conhecendo a sua porção, sua fragilidade. É voltar ao ponto de partida sem medo, toda a vez que for necessário. É seguir caminhando para frente também sem medo. O que eu posso lhe dizer é que é Deus quem sustenta minha estabilidade. É Ele quem faz meus neurotransmissores funcionar e assim eles seguem, me mantendo estável.

Não tenha pressa de conseguir a tão desejada estabilidade. Ela virá como uma pena, sem que você dê conta de si. Apenas viva, conheça-se, não tenha medo de suas idas e vindas. Elas fazem parte da bipolaridade. Apenas saiba que, em algum momento, você pode ouvir esta música suave e gentil nos seus ouvidos: estabilidade.

E assim eu sigo: na certeza de que Deus me sustenta e rege não só minha existência, mas também todas as coisas. E você me pergunta: "o que isso tem a ver com estabilidade?". Respondo: tudo, não se põe o sol todos os dias em todo o mundo?

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Um cobertor maior

 Lua Nova, janeiro de 2021.

 

Hoje quero escrever sem amarras. Quero escrever livre como um riacho descendo corredeira abaixo. Sempre me proponho a isso, nem sempre consigo, eu sei, mas hoje é necessidade, hoje é querência.

Nesta manhã, acordei muito mal. Estou desde ontem mal. Um sintoma emocional e físico que conheço muito bem: angústia. Se você é bipolar, deve conhecer bem esta velha companheira. Não tenho receita para evitá-la, mas se tivesse, pergunto-me se deveria fazê-lo (como aquela história de “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”). O que eu posso dizer é que não tem remédio pra isso.

Se por um lado, não há remédio... Você pode se perguntar por que estou escrevendo esse texto. De fato, não descobri a cura, mas este não é de todo um caso perdido e aqui me proponho a pensar no que faço quando estou neste estado.

Primeiro, não tente negar. É pior. Dói ainda mais. Reconheça e identifique o sintoma e apenas o saiba presente e parou por aí. Segundo, não “mergulhe” nele. Não o alimente, nem dê a ele mais do que o que ele precisa. Terceiro, procure se distrair. Se há algo que capture sua atenção, faça-o. Neste exato momento, eu estou escrevendo. Estou me concentrando em algo que cativa meu coração. Quarto, procure as pessoas que te assistem: médico, psicólogo, terapeuta... Tente manter um registro do seu humor e passa informações detalhadas sobre você para seu médico. Quinto, procure seus amigos. Não se isole. Sim, você terá seu momento de solitude (e não solidão), que é muito importante, mas evite dar oportunidade para a angústia te engolir.

Por fim, nessas horas, lembro sempre de quem eu sou e em quem eu acredito e não há como fugir deste pensamento. Há um dito popular que diz “Deus dá o frio conforme o cobertor”. Não sou muito fã de ditos populares, mas não é por isso que considero este tão falacioso. Lembro de Paulo, Jó e Davi, que passaram por tantas provações. Não. O cobertor deles era pequeno, bem pequeno. Paulo pediu a Deus a cura e Ele lhe respondeu: “a minha graça te basta”. O que isso me diz? Que nossos cobertores são pequenos e finos até, mas que, ao recorrer a um pai bondoso e poderoso, Ele nos dá um cobertor potente e nos mantém aquecidos até que a noite passe. Essa é a minha certeza. Esse é o motivo pelo qual escrevo esta manhã e sei que, embora eu não tenha forças pra lutar contra a angústia, Deus tem. Ele é a minha armadura.

Espero ter despertado sua consciência para uma luta mais justa e menos desigual contra o transtorno e a angústia e que você saiba que, se por um lado, não há cura para todo mal, há remédio para cada tipo de dor.

 

Até a próxima lua.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

A mais bela canção

Estou no deserto. Então vá se acostumando com minha presença por aqui. Ora um pássaro pia ao norte. Ora um corvo anda a espreita. Nas duas situações, me resta confiar. Voltar os olhos para o monte de onde me vem o socorro. Ele que não dormita nem dorme sabe. Eu não sei. Você não sabe. Mas Ele sim. E Ele vem. Vem ao meu encontro. Vem me socorrer. Estende as mãos e diz: "eu entendo". "Eu entendo o que ninguém mais pode sequer imaginar, mas eu entendo". Sinto como se uma água fresca, um perfume de jasmim penetrasse meu interior: "eu entendo". E cessa a inquietação. Assim, como quem pisca, como quem sonha com flores e acorda segurando uma orquídea. Nenhuma canção jamais soaria tão bela: "eu entendo".

A mim... Só resta confiar. Só resta agradecer. Sim, porque Ele entende. Ele sabe. E sigo na minha montanha russa do coração, mas sabendo que sempre que estiver lá em cima achando que vou despencar, saberei: "eu entendo".

segunda-feira, 2 de julho de 2018

A raiva

Uma das grandes preocupações de quem tem o TB, principalmente o tipo I (sim, vou falar disso de novo!) é saber lidar com a raiva. Confesso que pra mim isso ainda é um grande desafio.

Vamos por partes. Se você notar que vem tendo atritos frequentes com uma certa pessoa, considere um  afastamento temporário até que você tenha conseguido lidar com sua raiva e se sinta mais disposto ao diálogo. Ok. Essa é uma opção que vale, na maioria das vezes, para amigos ou familiares com quem você não tem obrigação de estar sempre. Mas quando é um colega de trabalho ou alguém que veja sempre. Amigo... Aí, mantenha a educação e, sabe aquela música do Rei Leão: "somente o necessário, o extraordinário é demais"... Seja sempre educado e cortês e tente sempre que estiver longe da pessoa, reavaliar as coisas. Talvez a realidade te pareça diferente.

Ok, mas e quando você convive com essa pessoa? Puxa... Aí, querida... Se interna num mosteiro budista e só sai de lá quando virar um  monge,  kkk... Bem, na real, vou dizer o que acontece comigo.

Eu estou exatamente nessa situação. Sabe aquele momento em que você se sente totalmente impotente em que tudo o que você disser será usado contra você? Quando a sensação que você tem é de que você deve tá com todos os pinos frouxos pra ver uma realidade que o outro não vê  (ou não quer ver, que também é uma possibilidade), você se sente ferido e totalmente incompreendido e, simplesmente, não tem abertura para o diálogo. Bem, depois de pensar em mil e uma formas de acabar com a criatura, você se impõe à realidade: convivo com esse... ser e preciso lidar com minha vontade quase sádica de ve-lo em maus lençóis.

Quadro descrito, passo a dizer o que consigo fazer. Primeiro, sou cordial. Posso não ser carinhosa ou meiga, mas cordial sempre. Procuro agir para o bem desta pessoa apesar da minha vontade de esganá-la. Procuro pensar antes de agir (a raiva não é boa conselheira) e tento agir sempre para o bem dessa pessoa (pense que, em algum momento, seus sentimentos vão mudar). De grão em grão, suas boas ações vão fazer com que essa pessoa não lhe pareça tão má assim.

Por fim, passe tempo só. No meu caso, choro minhas mágoas com Deus e é muito bom. Deus é Pai, amigo. Ele vê o que não vemos. E confie que, por pior que pareça, é uma situação passageira e ninguém é tão ruim assim que não seja capaz de ter um instante de verdade.

Quanto a mim, sigo contando 1, 2, 3... Até mil ou o que for.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

A visão do transtornado

Fiquei surpresa e feliz ao retornar aqui e ver que há um post desse ano, dois aliás. Esse blog já tá mais do que pra lá de episódico rs...

A razão que me traz aqui hoje é dolorida, amargurada... Mas espero que possa ajudar alguém que esteja na mesma condição que eu ou tendo que lidar com alguém que esteja. Diferente das outras postagens, é mais um desabafo que uma reflexão, mas... que no fim de tudo resulte em reflexão.

Quem me acompanha aqui sabe que tenho o diagnóstico de transtorno bipolar tipo I dado em 2012. Desde então faço tratamento com medicação e terapia e, na maior parte do ano, tento fazer atividade física regularmente (sério, ajuda muito!). As implicações disso na nossa vida atingem todas as esferas: família, trabalho, amigos, lazer... Tudo. E como lidar com isso?

Volta e meia dou uma fuçada na internet a procura de artigos e postagens mais confiáveis sobre relacionamentos e bipolaridade. Tudo o que encontro são coisas como "como agir com um bipolar" ou "meu marido é bipolar" ou "faça isso não faça aquilo com um bipolar"... Mas... Não vejo um bipolar dizendo como ele se sente em relação aos outros e ao mundo. Pois bem... Daí, ontem, querendo ver um filme que me fizesse refletir, assisti "Com amor, Vincent". Sobre a vida, sobretudo, a morte de Van Gogh. Ui... (longa pausa). E quase me fogem as palavras. Tido como "freak", doido, por vezes, gênio, Van Gogh foi um cara extremamente solitário que parecia se abrir somente para uns poucos seres no mundo, dentre eles, seu irmão Theo. E me identifiquei: com a tempestuosidade, com a dor, com o sofrimento.

Quem tem o transtorno precisa entender que, às vezes, nossa visão da realidade é comprometida. Nós a distorcemos para um contexto que nos é, não raro, anterior à situação vivida e por mais que nossos companheiros, familiares e amigos queiram nos fazer enxergar, não é na hora da crise que vocês vão conseguir. Se você tem um amigo, cônjuge bipolar (e principalmente do tipo I) precisa ser firme quando esta pessoa estiver em um de seus delírios, mas nunca, nunca seja hostil, nunca aja sem amor. Você já imaginou o que pode se passar pela cabeça dessa pessoa? Ou como ela se sente? Tratar seu marido como monstro ou sua esposa como um lixo NÃO vai melhorar a condição deles. Ao contrário, só vai piorar. Procure, com paciência, entender os motivos pelos quais seu companheiro ou amigo bipolar disse o que disse ou agiu como agiu. Sabendo as razões, você vai ter uma melhor compreensão daquilo que pode provocar uma crise (seja mania ou depressão). Em muitas situações, você vai precisar mesmo ser firme e conter seu amigo ou companheiro, mas entenda qual é seu inimigo. NÃO é contra o seu amigo que você deve estar.

É possível que um bipolar tenha um bom autoconhecimento e consiga perceber quando se excede. Em muitas situações, ele/ela pode conter seus impulsos e gerenciar suas emoções de forma a reagir com sabedoria. Mas, verdade seja dita, a não ser que seja um mestre zen, isso não ocorre 100% das vezes.

Se você escolheu se relacionar com um bipolar, precisa entender as consequências que o transtorno traz ao relacionamento. Ser rude, impassível e não procurar entender as causas das ações do seu amigo/companheiro só vai fazer a condição dele/dela piorar. Você precisa saber que, acima de tudo, é um relacionamento que requer muita paciência. Pense que será mais difícil do que lidar com alguém que não sofre de nenhum transtorno e por isso mesmo, vai exigir mais de você. Pense também o quanto será recompensador ver seu companheiro/amigo estabilizado, conseguindo administrar suas emoções e que, como todo mundo, tem muito a contribuir com a vida.


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Reencontro

E então aqui
Fizeste-me ver novamente
O mesmo semblante
Neste instante
Reencontro

Reverbera o mesmo som
A mesma nota
O mesmo anseio, vontade
Verdade
Alívio
Saída
Cura

E converso com o salmista
Ora "elevo os meus olhos"
Ora emudeço em silêncio e a minha dor se agrava
E minha mente adoece

Uma voz, aguda, fraca
Uma senhora de bengala
Em todo seu fôlego grita
Pra que só eu consiga ouvir:
O castigo, o castigo...
É nossa paz
As pisaduras, pisaduras...
Nos curaram

E volto ao meu reflexo
Vestígios de dores
Temores
Que mudam de rosto
E saem do meu
E minhas rugas,
Que desde muito,
Pertencem ao Teu

E no meu rosto, minhas angústias
E nelas, Teu rosto

domingo, 30 de julho de 2017

Sobre TB e relacionamentos

Uma dura e triste realidade sobre o transtorno bipolar (pois é, ele de novo) é que ele pode ser o estopim de muitos relacionamentos fracassados. Já perdi amigo, namorados e, espero em Deus não perder mais ninguém.

Como evitar? Talvez não haja como evitar. Mas se seu esposo/a namorado/a o ama honestamente, então ele precisa de informações sobre a doença o quanto antes. Quanto mais informações confiáveis, melhor.

Entenda que o primeiro passo vc já deu (informar-se), mas e depois? Tente acompanhar o tratamento de seu cônjuge/namorado. Converse com ela/ele a respeito do assunto, pergunte como se sente, ajude-a a aliviar sua carga de estresse, até mesmo fazendo coisas por ele/ela.

E... saiba que, mesmo com tudo isso, pode ser que ele/ela entre em crise e vá precisar de você mais do que nunca. Saiba que atribuir culpa a um paciente TB em períodos de crise por suas ações pode, sim, ser um ato de covardia. Minha recomendação é que se está se relacionando com um bipolar, informe-se, informe-se e informe-se. Se não quiser proximidade saia o quanto antes. O rompimento de um relacionamento com um bipolar (seja qual for e por quanto tempo for) é terrivelmente danoso para ele/ela e só piora o quadro. Mas se já criou laços, então esta é sua grande oportunidade de exercer compaixão, misericórdia e amor genuínos.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Poderia falar, etc parte II

Depois que li a postagem anterior e tive algum feedback sobre o texto, senti que precisava de um ps. Longe de encerrar o assunto, há necessidade de acrescentar mais alguns itens à lista. Então, vamos lá.

Sono. É importantíssimo que, seja lá qual for o distúrbio, a pessoa durma bem. Uma boa noite de sono assenta o que vivemos durante o dia, repõe nossas energias e, acredito que é coadjuvante no processo de cura (que seria a estabilidade).

Cores. Não falei desse item antes,  mas é como no ambiente. Se vc passa a maior parte do tempo vestindo preto, é como estivesse num quarto semi-escuro. Prefira coisas leves, sempre.

Atividades e trabalho. Bem, o paciente com TB pode e deve buscar uma vida equilibrada e ativa, mas sempre respeitando seus limites. Se você é estudante e, além da escola, faz jiu jitsu, inglês, espanhol, surfa e ainda trabalha... Você pode não dar conta de tudo isso e precisar selecionar o que é mais importante e, ainda, você pode não conseguir dar conta daquilo que normalmente fazia. Um exemplo. Por  conta dos meus estudos, volta e meia tinha de lidar com autores considerados bem complexos. Duvido que agora eu conseguisse ter concentração e a capacidade de raciocínio de sempre pra ler Pierre Bourdieu, C.S Lewis ou mesmo algo mais concreto. Talvez seja oportuno ler coisas mais digestivas e viáveis. Dar à mente e ao corpo o tempo deles para voltarem ao que eram.
Acredito que, por hora, é o que tenho a acrescentar.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Poderia falar sobre qualquer coisa, mas...

Depois de séculos sem escrever (ok, ok, tô sempre falando isso :( ...  Cá estou. Muitos acontecimentos: review de filme (cheguei a separar até imagens para um post), descobertas sobre treinamento, ter um animal (seria até bem controverso), beleza e estética (tenho pesquisado muito isso), mas... De todos os acontecimentos, eu decidi falar de algo que falei muito pouco por aqui: bipolaridade. Por ser algo que tem me incomodado, que tem saltado os olhos... Que se tornou uma questão. Vamos ao início.

Que tenho eu a ver com transtorno bipolar? Bem, esse foi meu diagnóstico dado no início de 2012 (fatídico ano do calendário Maia). Como fui parar num consultório e por que recebi esse diagnóstico?
Vou precisar voltar um pouquinho antes... Eu morei  um ano no sertão da Bahia e depois de experiências muito ruins por lá e sem meta profissional que pudesse acontecer na cidade em que estava, tive a ideia de ir para Recife, pensei em trabalhar, abrir um negócio no mercado de entretenimento e artes e também retomar os estudos (a ideia seria fazer um doutorado). Fui com toda a sede ao pote e achando que ia fazer e acontecer. Mas, hein? Lembro que fui parar na emergência umas duas vezes. Primeira vez, algo que parecia físico mesmo, mas na segunda... Eu estava clinicamente bem, me receitaram um calmante fitoterápico e pronto. Dias depois... Eu manifestei sintomas mais evidentes de mania (depois explico o termo). Um primo, pastor e psicólogo, levou-me ao consultório de um amigo que deu o diagnóstico e me prescreveu estabilizador de humor e antipsicótico. Esse tem sido meu tratamento até hoje.

Parecia incrível. Eu quase que podia sentir o remédio fazendo efeito. Mas voltemos ao que vim fazer aqui rs.

O que é bipolaridade? Pergunta complexa, mas... Eu diria que é tudo menos "ficar alegre numa hora e triste logo depois" rs. Guardando as proporções, alguns casos até tem um pouco disso rs... Mas, tentando esclarecer: o transtorno bipolar é um distúrbio de humor que faz com que o paciente sofra , basicamente, duas fases no seu humor: a mania  e a depressão. É bem possível também que estas fases ocorram com intervalos muito pequenos ou caracterizem um estado misto, mas não vou detalhar isto. Na mania, lembro de sofrer uma inquietação profunda, tinha necessidade de me movimentar, mexer, falar muito (muita extroversão), tinha muitos pensamentos de grandeza (acreditem, poderia pensar até que tinha superpoderes), pensamento acelerado e daí, muita dificuldade de dormir (dormia umas 4 horas e poderia até sair pra correr em plena madrugada) e agressividade. No dia seguinte, estava ainda mais elétrica. Sentia, como se diz em inglês, um "bliss", uma euforia que parecia sobrenatural. A fase da depressão... No meu caso, é algo assim: um olhar constante pro abismo, um aperto dilacerante no peito, incapacidade de raciocinar com clareza, desânimo, a vida monocromática. Há um desejo grande de reclusão e, não raro, muito cansaço e longas horas de sono.

O transtorno bipolar é crônico (ou seja, não tem cura) e se atribui, principalmente, à genética. Causas ambientais também podem contribuir à manifestação dos sintomas. O TAB, como também é conhecido, tem tratamento. O paciente que entra em uma crise, ao fazer uso da medicação e seguir corretamente o tratamento, consegue retomar sua vida normalmente, acredito que sem prejuízos. Vou dizer aqui, então, o que pode ajudar a sair desses momentos de crise.

Bem, há coisas que ajudam e outras que atrapalham o bem-estar de um bipolar (rima não intencional!! rs). Vou listar algumas delas, mas não, necessariamente, falando das boas e das ruins. Aquilo que é bom ou ruim vai depender um pouco de cada um.

Coisas que mais me ajudaram (ou não):
  • Medicação. Sei que tem gente que detesta tomar remédio (não é o meu caso), mas quando você for ao médico e ele te prescrever algo, tome. Vai fazer muita diferença, afinal, o que te desestabiliza também é químico.
  • Acompanhamento psicológico. Medicação + terapia = psicoterapia. É muito importante ao longo do processo e mais ainda quando se está em crise. Procure um bom profissional, alguém que lhe provoque empatia (não confundir com "simpatia"), que seja viável para você (logística, custo). 
  • Atividade física. Pode parecer supérfluo, mas não é! Faz muita, muita diferença mesmo. Socialização, serotonina, endorfina. Eu estou fazendo hidroginástica, no momento. Escolhi porque amo água, amo a sensação de ser abraçada pela água, de ver a cor da água... Escolha algo que seja terapêutico para você, além de prazeroso.
  • Cinema e música.  Aí, pode ser bom e pode ser ruim. Se você está na depressão e resolve assistir "Dançando no Escuro" do Lars Von Trier... Amigo... Uma ponte pro suicídio. Não recomendo, rs. O mesmo pode ser dito pra música... Você está super inquieto e vai ouvir heavy metal? Não dá, né? Como a arte pode ajudar, então? Procure algo que te faça bem, que equilibre o seu humor e trabalhe sua psique.
  • Outras atividades. Se você tem um hobby que possa usar para trabalhar sua concentração (gosto de escrever, tocar, cantar, colorir, por exemplo), use e abuse. Tenha apenas o cuidado de fazer algo que não te estresse além da conta, mas que trabalhe sua psique.
  • Ambiente. Acredito que tanto para quem esteja na mania quanto para quem está na depressão, passar a maior parte do tempo em um lugar calmo, tranquilo, arejado e claro favorece, e muito, a um estado de espírito mais tranquilo e pacífico. Procure estar em ambientes assim ou se você mora em um lugar muito escuro e fechado, pense em como você pode tornar este lugar mais confortável para você.
  • Alimentação. Muitas pessoas nem se tocam sobre este item, mas alimentação também pode te ajudar bastante. Tente se alimentar bem, com calma, comida leve e saudável. Alguns alimentos, por exemplo, podem ajudar a equilibrar seu humor: morango e cenoura podem ajudar com a depressão. Ah! E beba bastante água, ainda mais se a medicação começar a interferir no seu metabolismo.
  • Vícios. Seja de qualquer tipo, afaste-se deles. E, se o vício vier, frequentemente, por influência de outras pessoas, considere reduzir ou mesmo afastar o contato com elas. E então, entrarei no próximo tópico.
  • Socialização. Vejo a maioria das pessoas dizerem que estar com família, amigos e outras pessoas ajuda. Hum... Na maioria das vezes, sim. Muito. Algumas pessoas vão, ainda que sem saber, te ajudar a equilibrar o humor. Mas outras podem deixar você ainda mais tenso, estressado ou triste. Isso pode acontecer com qualquer pessoa, até as que lhe forem mais próximas. Caso essa socialização não lhe favoreça, isto não significa que a pessoa seja boa ou ruim, mas que ela pode não estar sabendo lidar com você, ou mesmo, não ter informações suficientes a respeito do transtorno bipolar. Mas, algumas pessoas vão lhe ajudar muito. Preze por esses relacionamentos. Pra resumir, procure na terapia e até em quem você confia, saber discernir o que está sendo bom ou ruim para o seu bem-estar.
Acredito que com isso, eu posso concluir o texto. Espero ter ajudado e esclarecido algumas coisas. Gostaria de acrescentar um vídeo que achei hoje meio por acaso no ciberespaço. Achei bastante elucidativo e bem feito.





Ps: No momento, estou escrevendo no que parece uma crise branda, não sei ao certo. Pela manhã, estou sempre mais morosa, desanimada, sem forças... O dia acaba começando tarde. Ao longo do dia, vão surgindo mais disposição, ânimo e, à noite, parece ser o pico. Mesmo com a medicação, dificuldade para dormir e a cabeça a mil...

domingo, 29 de junho de 2014

O bom pastor

"Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam" (Sl. 23: 4)

Já falei aqui, algumas vezes, sobre TB (transtorno bipolar). Há tempos não falo sobre isso por uma questão bem simples: estou me sentindo bem estabilizada, embora alguns medicamentos (como calmantes) se mantenham. Aprendi que é possível compreender (ainda que não em sua totalidade) o transtorno e conviver bem com ele, como convivem os diabéticos com a diabetes, os hipertensos com a hipertensão e por aí vai. Contudo, sei que, ainda que com todos os cuidados, uma nova crise está no campo da possibilidade. O que me sustenta é, como disse o profeta, "trazer à memória aquilo que nos dá esperança". Saber que "ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte", Deus estará comigo (como esteve) me diz não apenas que estou segura e que tenho abrigo, mas diz sobre o próprio Deus que, como o bom pastor, dá a vida pelas ovelhas. Isto é graça. Sublime graça.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Novamente, sobre bipolaridade

Perdoem-me a lacuna... Nem eu consegui escapar ao frisson da Copa. Aliás, a Copa está bagunçando meu calendário todo! Enfim...

Hoje gostaria de voltar a falar sobre algo que há algum tempo já não falo... Transtorno Bipolar, ou simplesmente, TB ou TAB (incluindo o termo "afetivo"). Pra quem não conhece ou não conhecia (como minha mãe), muitos dúvidas e mitos em torno do assunto. Posso falar por mim, depois de aproximadamente 2 anos de tratamento (que é contínuo), estou levando uma vida praticamente normal. Tenho observado que, até mesmo a privação de sono, já não me causa o efeito negativo que antes causava. Tenho me sentido também mais disposta e não tenho observado grandes oscilações de humor. Nem tudo são flores... Continuo com a conta no vermelho e o desejo de comprar não diminui. Graças a Deus que me ajuda a controlar isso.

Mas então... O que vem a ser TB (ou TAB)? Trocando em miúdos, é um transtorno de humor caracterizado pela alternância de estado maníaco e depressivo. Pesquisando na rede, achei um blog bem interessante sobre o assunto. Há também o site do ABRATA (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos) que é bem esclarecedor.

Só mais uma palavra sobre o assunto (longe de esgotá-lo). Aqui vai um relato pessoal. Tenho até hoje amigos que não acreditam no meu diagnóstico... Mas alguns indícios me mostram que ele foi certo: 1. identifico-me muito com os sintomas tanto da fase depressiva quanto da fase maníaca do transtorno; 2. Três médicos diferentes deram o mesmo diagnóstico para o meu caso; 3. O tratamento para TB funcionou e tem funcionado até hoje, graças a Deus.

No mais, não sinto que seja mais nenhum bicho de sete cabeças... Psicoterapia, ser amparada pela família, estar cercada de amigos e, sobretudo, conhecer o poder restaurador do amor de Deus podem fazer qualquer paciente com TB se restabelecer. O tratamento é essencial, mas não é completo. Deus conhece profundamente a alma humana.


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Tempus fugit

Queridos!

Passando por aqui só para dar outra boa notícia: voltei a trabalhar. Estou, aos poucos, me adaptando a nova rotina, tentando arduamente manter a academia e os livros. Falando nisso, acabei de reler "A Arte e a Bíblia" do Schaeffer. Pretendo sentar e escrever uma crítica sobre o livro, mas já adianto que foi uma leitura demasiadamente prazerosa com a qual me identifiquei muito. Enfim... É isso. Aos poucos, as coisas vão acontecendo. Tudo na direção de Deus. A Ele sou grata.

segunda-feira, 31 de março de 2014

O que será

Gosto muito de Chico. Bom letrista o cara, boas melodias também. Uma das canções dele que mais me chamam a atenção é O que será (à flor da pele). Uma canção que traduz tão bem a angústia humana. Ouço-a como se ela estivesse dando nome ao que é inominável. Veja por si mesmo:


O que será (à flor da pele) - Chico Buarque

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
E nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que será
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vem atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
E todos os meus nervos estão a rogar
E todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo







Percebo simplesmente uma lacuna. Uma lacuna exatamente do tamanho de Deus.

P.s: Há um diálogo claro aí com vários salmos... Penso no 139, 77, 88... Consola saber que pra Deus "o que me dá" tem governo e tem juízo. Ele conhece o oculto do ser humano.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Os salmos e os estados da alma II

Estive pensando nos estados da alma e em como Deus nos enxerga profundamente. Tanto em nós como no outro há pontos que para nós são "cegos". Vejo isso até na minha própria prática de trabalho. Nunca alcançamos um aluno plenamente. Ele/ela vai sempre nos surpreender (o que é muito bom também). O que quero dizer é que com Deus a coisa se dá de uma forma infinita. Leio no salmo 139 que Ele nos conhece exaustivamente e profundamente. Não há, para Deus, pontos "cegos". Ele simplesmente sabe. E isso é um consolo. Mesmo que eu não saiba a causa de todos os meus medos, tristezas e ansiedade, Deus sabe. Ele vai aonde nenhum psicólogo, psiquiatra ou qualquer outro especialista da psiquê humana pode ir. Lembro de vários exemplos... Elias, pedindo para morrer, escondendo-se de Jezabel, Moisés também exaurido por causa de um povo rebelde, Davi, arrependido de seu pecado... Todos eles se despiram e se desnudaram diante de Deus. Convido-o a fazer o mesmo. Leia os salmos e experimente o quanto é surpreendente o modo como Deus cura nossa alma.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Um simples passeio

Ontem estive no centro da cidade. Parece uma coisa banal, mas pra quem esteve muito tempo sem sair (devido ao transtorno)... Considerei uma grande vitória. Voltar às ruas do centro, caminhar por lugares que há muito não passava, reconhecer prédios e ruas, perceber que ainda podia percorrê-las... Foi simplesmente um presente de Deus.

Aproveitei e passei pelo CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), lembrando da época em que eu frequentava o lugar. Uma performance estava acontecendo. Não dei muita atenção. Achei tudo meio despropositado, um fazer por querer fazer. Arte não precisa de justificação, mas, a meu ver, tem de conectar, comunicar-se com o outro.

Pois bem, encontrei minha amiga, fomos para um restaurante árabe bem simpático, conversamos e outra diferença que notei: estava saindo não só de um lugar distante, mas estava saindo de lá à noite. Tomei meu caminho de volta e cheguei na santa paz de Deus rs. Fiquei imaginando que isso parecia impossível para mim a dois anos atrás. Hoje não, graças a Deus. Centro da cidade, aí vou eu :)

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Outra boa notícia

Querid@s,

Pra quem tem me acompanhado, sabe que estou um período sem trabalhar, cuidando da saúde. Foi custoso, mas absolutamente necessário. Posso dizer que neste período, Deus não deixou faltar nada e tem me sustentado até aqui. Como eu disse a alguns amigos: "a mamata vai acabar" rs... Minha médica me liberou para trabalhar. Fez apenas uma ressalva: nada que comprometa meu sono e me estresse. Fora isso, espero em breve estar de volta à ativa. Muitas coisas boas nisso tudo... Uma delas, o tempo que pude dedicar à leitura, à escrita e a oportunidade de recomeçar, de fazer algo novo. Que Deus oriente meus passos. Agradeço a todos os que me apoiaram nesta fase pela qual passei. Agora é transição.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Iona

Voltei a ouvir Iona. Iona é uma banda inglesa cujo nome foi dado por causa da ilha de Iona, costa ocidental da Escócia. Voltar a ouvir Iona significou muita coisa. Quer dizer que estou reescrevendo meu passado. Explico.

Pra quem viu o filme O lado bom da vida, havia uma música que o personagem principal da trama não podia ouvir que se sentia mal. Aliás, ele também tinha transtorno bipolar. Essa música provocava nele uma série de lembranças que lhe eram profundamente incômodas e desagradáveis. Comigo era um pouco parecido. Ouvir Iona me lembrava de um tempo para o qual eu queria voltar e me dava muita, mas muita saudade. Por isso, desisti de Iona e fiquei cerca de um ano sem ouvir (ainda que estivesse com um álbum deles no meu celular).

Um belo dia, cansada de ouvir as mesmas coisas, arrisquei. Por que não Iona? Que bom. Funcionou. É uma volta à minha identidade, ao que gosto. Não tenho dúvidas de que é mais uma amostra de que Deus nos cura por inteiro: corpo, alma e espírito.

Bem, agora falta dizer por que gosto dessa banda, né? Iona mistura rock progressivo com música celta. Na maioria das vezes, uma pitada celta, mas no vídeo que vou mostrar, vê-se que a influência do folclore anglo-saxão é bem forte. E é isso que acho bonito neles! Músicos cristãos que não se negaram desfrutar de suas raízes. Aqui... Estamos ainda longe disso. Aqueles que se arriscam, estão no lado B. Temos uma dívida ainda com a música brasileira. Quem sabe, quando o músico cristão brasileiro entender que fazer música implica viver criativamente a fé cristã, não teremos um outro cenário? Enquanto isso, oremos e façamos.


Iona - Castlerigg:



quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Ansiedade.

Eu tenho problemas com ansiedade. Mas... Quem nunca teve que atire a primeira pedra. Não sou da Geração Y, mas fui mal acostumada a ter tudo pronto e na hora. Quando criança, lembro que meus pais me faziam esperar e penso que se não o tivessem feito, seria ainda pior. Atualmente estou em uma situação de espera. Algo que estou aprendendo a esperar e a confiar em Deus que virá no tempo certo. Não sei até que ponto essa ansiedade é do transtorno bipolar, mas seja lá como for, ela existe. Mas sei que em Cristo é possível encontrar saída para um coração ansioso.

Em Filipenses, Paulo fala: "Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças." (Fp. 4:6)

E segue: "E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus" (v. 7)

Gostaria só de acrescentar que, sobre esta mesma passagem, assisti há alguns dias um vídeo do John Piper que gostei muito. Não está legendado, mas está bem tranquilo de entender. Se você quer se arriscar, vale a pena. Clique aqui.

Até a próxima.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Notícias

Estive na ultima consulta do ano para verificar como está o transtorno. Tudo caminhando bem. Ainda assim, mantenho as mesmas medicações e dosagens. Mas a ideia, segundo a médica, é que eu fique só com o lítio mesmo. No momento, o que mais me incomoda é o sono, que anda irregular. As manhãs, nem sempre são boas. Uma depressão matinal aqui e ali que dificultam o exercício da minha rotina. Muita coisa a aprender sobre transtorno bipolar, espero, em breve, ter tempo para dedicar a algumas pesquisas.

É isso.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Há dias...

Há dias em que o fôlego não vem
Há dias em que o pássaro se debate na gaiola
Há dias em que não há vírgulas ou pausas
Há dias em que o grito implode no pensamento
Há dias em que a mente é um cavalo indomado

(...)

Há dias em que o coração sufoca por dentro
Há dias em que uma hemorragia interna nos afoga
Há dias em que uma poeira ao vento é mais preciosa
Há dias em que as cores se suicidam
Há dias em que nada, nenhum silêncio conforta


Em todos estes dias: "Porque há esperança para a árvore, que, se for cortada, ainda torne a brotar, e que não cessem seus renovos" (Jó 14:7)