sábado, 2 de março de 2019

O trono

"O túmulo está vazio. O trono, não" (Ziel Machado)
Quando uma criança conversa com outra criança, ela olha para o lado. Mas quando temos uma criança conversando com um adulto, aquela vai, certamente, precisar olhar pra cima para poder lhe olhar nos olhos. Da mesma forma, um adulto, quando olha uma criança, precisa olhar para baixo.

Nosso olhar sobre o caos que nos cerca e por vezes, mos invade não precisa ser engessado. Para se olhar de outra perspectiva, é preciso que se reconheça a necessidade para tal e que se queira mudar esse olhar. Deus nos move a fazê-lo. Se o Pai não nos der uma boa chacoalhada, nosso olhar será sempre o mesmo e não enxergarmos nossas vidas nem o mundo da perspectiva do trono. É desse lugar que João, preso, é convidado a olhar o mundo a sua volta: um mar agitado e revolto, mas que obedece a voz de um Deus soberano e poderoso. É na tempestade que sua mansa voz acalma o mar e ganha a perspectiva que tem de fato: poder e grandiosidade.

Precisamos aprender a ouvir essa voz mesmo quando o caos nos invade. Deus não somente acalma a tempestade, nos dá paz em meio a turbulência, mas Ele nos ensina que um Deus bondoso, poderoso e soberano está no controle de tudo. E Ele está conosco.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Apenas uma abstração

Tanto quanto baste. Nem muito para que eu me acostume com tua ausência e tu te dissolva em algumas lembranças etéreas. Nem pouco ao ponto de estar ainda turva a tempestade de areia que se instaurou entre nós. Mas que seja no momento exato, no fio da navalha e cerre de cima a baixo o lixo que nos separa.

A mais bela canção

Estou no deserto. Então vá se acostumando com minha presença por aqui. Ora um pássaro pia ao norte. Ora um corvo anda a espreita. Nas duas situações, me resta confiar. Voltar os olhos para o monte de onde me vem o socorro. Ele que não dormita nem dorme sabe. Eu não sei. Você não sabe. Mas Ele sim. E Ele vem. Vem ao meu encontro. Vem me socorrer. Estende as mãos e diz: "eu entendo". "Eu entendo o que ninguém mais pode sequer imaginar, mas eu entendo". Sinto como se uma água fresca, um perfume de jasmim penetrasse meu interior: "eu entendo". E cessa a inquietação. Assim, como quem pisca, como quem sonha com flores e acorda segurando uma orquídea. Nenhuma canção jamais soaria tão bela: "eu entendo".

A mim... Só resta confiar. Só resta agradecer. Sim, porque Ele entende. Ele sabe. E sigo na minha montanha russa do coração, mas sabendo que sempre que estiver lá em cima achando que vou despencar, saberei: "eu entendo".

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Sobre mágoas

Se pudesse lhe falar...
Diria que todos temos nossas fragilidades. Tenho as minhas. Cometi os meus erros. Não fujo deles. Compreendo-os como parte da minha história, com os quais devo aprender.
Não lhe direi: eles se foram. Não. Eles estão sendo ressignificados, perdoados por Deus.
Nossa ira é fraudulenta. Não se deixe guiar por ela. Ela é enganadora, mesquinha...
Nossas mágoas e dores, lançamo-nas aos pés da cruz, que é o melhor lugar para elas.
Você se enclausurou. Encontra-se em um lugar em que não posso penetrar, um lugar inacessível, um lugar de pedra.
Se meu erro foi colossalmente imperdoável (penso que não foi) ou passível de misericórdia, não lhe cabe julgar, somente a Deus. E Este, meu amigo, Este mesmo que a todos pode julgar e condenar, me absolveu. Portanto, não te cabe me condenar.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Carta a um incrédulo

O que vou escrever aqui é fruto de vivências, sofrimentos e, em particular, de alguns problemas de relacionamento interpessoais que me ferem. Estamos no deserto. Estamos a procura da estrela do oriente para que nos guie e nos leve aonde devemos estar. Nem mais longe, nem mais perto: exatamente onde devemos estar.

Preciso escrever uma carta. É uma carta para alguém incrédulo. Segue o texto.

Eu sei. Você não acredita mais. Você entrou no barco sem saber muito bem para onde ele ia, mas cá está. Vê-se em posição desconfortável, incômoda. "Não vim para que tenham paz". Se você acha que minha presença na sua vida é para lhe fazer mais feliz, para lhe dar paz... Bem, eu sei que sua presença na minha vida não é para isso. Posso até encontrar felicidade, alegrias, um certo sossego em algum relacionamento, mas... Certamente, o outro nunca será um "match" para meu padrão. Nunca ninguém se equipará ao meu padrão. Somos todos exigentes nesse sentido. Queremos todos felicidade plena, beleza plena.

Preciso ser honesta: esta felicidade plena não está em mim. Não está em você. Não está em qualquer outra pessoa porque... Somos reflexos. Reflexos! Pura imagem do que outrora fora pleno e belo ainda que sendo imagem. Não somos um fim em nós mesmos. Somos (ou deveríamos ser) placas sinalizadoras. Apontamos para o único ser supremo e pleno em amor que é Deus ou... Apontamos para a direção de tudo que não é Ele. Estamos sempre nesse jogo. Estamos sempre ora apontando para Ele, ora nos desfigurando.

Já teve a experiência de ganhar um objeto de decoração ou mesmo uma bolsa e fotografá-lo assim que ganhou e também muitos anos depois? Algumas coisas ficam tão diferentes que olhamos e pensamos "esta não é mais a bolsa que ganhei". Esta bolsa, este objeto perdeu a referência. Perdeu a beleza que espelhava outrora. Mas... Permita-me relatar uma experiência diferente.

Quando criança ganhei de minha mãe, um palhacinho. Um boneco de cabelos curtos de lã amarelo e muito gracioso. Lembrança cara de um momento feliz. Estávamos na Alemanha e eu passaria meu aniversário lá. Tenho este palhacinho até hoje (sim... Algumas coisas eu guardo! rs). Obviamente, não tem o mesmo viço de antes, mas... Curiosamente e muito curiosamente, olhar para ele me leva a contemplá-lo e, ao contemplá-lo, recupero em minha mente todos os momentos em que ele me serviu de consolo, de alegria. Algo peculiar acontece: ele se torna tão belo quanto antes.

A questão é que não somos padrões. Não somos os próprios padrões que criamos ou que gostaríamos de ser. Ao olhar para o outro, precisamos ver que este outro não é e nunca será nosso padrão. A boa notícia é que há, sim, um padrão. Todos nós apontamos para uma direção. Se por um lado, nossa feiúra nos distancia da imagem de Deus, por outro, nossa beleza remete à beleza Dele.

Isso me ensina muito sobre o desapego... Por mais que eu tente me apegar a algo que julgo próximo, palpável... Descubro que se trata tão somente de um padrão etéreo e volátil, um padrão terreno. E então volto à minha procura novamente e encontro Cristo.

Poderia terminar esta carta aqui. Estaria muito bem terminada.Mas quero lhe dizer: cada vez que você encontrar algo (hobbies, pessoas, objetos, prazeres...), cada vez, toda vez, lembre-se: esta coisa NÃO é o padrão. Esta coisa não tem em si nenhum, ou melhor, NEM SOMBRA de requisito para lhe servir de padrão. Não lhe trará consolo, paz, amor... NADA, NEM NINGUÉM que pereça pode servir de padrão para você. Fomos feitos à imagem e semelhança Dele. Nossa única razão de existir é Nele. Nosso único porto é Ele, pois Ele é o único eterno. Procure. Mas saiba que só há um lugar possível para sua existência.

NEle.

domingo, 23 de dezembro de 2018

Batendo o ponto

Pelo pouco que circulo na internet atualmente, tenho a impressão de que os blogs estão meio que estagnados... Pena. Agora temos os instagrams da vida pra cumprir esse papel. Eu tenho um, mas me recuso a fazer dele meu blog rs...

Divagações à parte (desculpem, bipolar é assim mesmo, discurso picotado e tal, rs), queria deixar aqui um registro de alguns pensamentos vividos, colhidos e gerados ao longo do ano. Vamos ver se consigo.

"2018 foi um ano difícil". "Esse ano passou voando". Quem ainda não ouviu essas frases levante a mão! Sim, foi um ano difícil (eleições, né, amigos?) e... Não, não acho que passou voando. Honestamente, acho que foi até devagar. Mas bem... Como o tempo pode ser também uma sucessão de fatos...

A questão, penso eu, reside em como digerimos o que foi vivido. Eu sou do tipo que não gosta de deixar pendências. Mas como nem tudo depende da gente... Neste ano, vou precisar colocar algumas coisas em "stand by". Isso me deixa triste, mas decidi que isso não pode estragar meu Natal. Então é reelaborar, ressignificar e reorganizar meu "armário interior", minha psiquê para que eu possa prosseguir com a "casa arrumada" em 2019.

Na verdade, não há um desfecho. A vida continua. Mas... Em nossas mentes, é como se um ciclo tivesse terminado. E por que não aproveitar isso? E vamos às promessas de fim de ano, rs...

Há quem sinta certo prazer mórbido em renovar suas metas e planos para o ano seguinte... Quanto a mim, já não faço isso há bastante tempo... Tem funcionado. Ao contrário disso, tenho pensado em termos de "possibilidades" para esta semana ou mês. Acho mais viável. Lido melhor com a frustração de não ter feito, não ter conseguido... E, para minha alegria, muita coisa consigo fazer :)

Pra mim, o ponto aqui é: um dia de cada vez. Os males de hoje pra hoje e as alegrias de hoje pra hoje. E assim sigo.

Não posso dizer que este ano prestes a nascer será bom ou ruim. Terá seus desafios com certeza. Terá suas vitórias. O que importa é que para o melhor ou pior, contarei com a doce presença de um pai eterno que orquestra a mais bela sinfonia no universo e que sou parte dela. Nada, absolutamente nada será sem propósito na vida dos seus filhos. E então, da minha perspectiva, sigo como a voz do poeta que diz: "caminhantes, não há caminho. O caminho se faz ao caminhar".

E isto é o que temos para hoje. Um FELIZ NATAL e um 2019 pleno em todas as suas vicissitudes 🥂

(To be continued)

segunda-feira, 2 de julho de 2018

A raiva

Uma das grandes preocupações de quem tem o TB, principalmente o tipo I (sim, vou falar disso de novo!) é saber lidar com a raiva. Confesso que pra mim isso ainda é um grande desafio.

Vamos por partes. Se você notar que vem tendo atritos frequentes com uma certa pessoa, considere um  afastamento temporário até que você tenha conseguido lidar com sua raiva e se sinta mais disposto ao diálogo. Ok. Essa é uma opção que vale, na maioria das vezes, para amigos ou familiares com quem você não tem obrigação de estar sempre. Mas quando é um colega de trabalho ou alguém que veja sempre. Amigo... Aí, mantenha a educação e, sabe aquela música do Rei Leão: "somente o necessário, o extraordinário é demais"... Seja sempre educado e cortês e tente sempre que estiver longe da pessoa, reavaliar as coisas. Talvez a realidade te pareça diferente.

Ok, mas e quando você convive com essa pessoa? Puxa... Aí, querida... Se interna num mosteiro budista e só sai de lá quando virar um  monge,  kkk... Bem, na real, vou dizer o que acontece comigo.

Eu estou exatamente nessa situação. Sabe aquele momento em que você se sente totalmente impotente em que tudo o que você disser será usado contra você? Quando a sensação que você tem é de que você deve tá com todos os pinos frouxos pra ver uma realidade que o outro não vê  (ou não quer ver, que também é uma possibilidade), você se sente ferido e totalmente incompreendido e, simplesmente, não tem abertura para o diálogo. Bem, depois de pensar em mil e uma formas de acabar com a criatura, você se impõe à realidade: convivo com esse... ser e preciso lidar com minha vontade quase sádica de ve-lo em maus lençóis.

Quadro descrito, passo a dizer o que consigo fazer. Primeiro, sou cordial. Posso não ser carinhosa ou meiga, mas cordial sempre. Procuro agir para o bem desta pessoa apesar da minha vontade de esganá-la. Procuro pensar antes de agir (a raiva não é boa conselheira) e tento agir sempre para o bem dessa pessoa (pense que, em algum momento, seus sentimentos vão mudar). De grão em grão, suas boas ações vão fazer com que essa pessoa não lhe pareça tão má assim.

Por fim, passe tempo só. No meu caso, choro minhas mágoas com Deus e é muito bom. Deus é Pai, amigo. Ele vê o que não vemos. E confie que, por pior que pareça, é uma situação passageira e ninguém é tão ruim assim que não seja capaz de ter um instante de verdade.

Quanto a mim, sigo contando 1, 2, 3... Até mil ou o que for.