Registros de uma travessia, uma jornada chamada vida. Ora sobre desertos, ora sobre campinas. Tudo tem seu tempo debaixo do sol.
domingo, 1 de outubro de 2023
"O Avanço da Fênix" e a natureza humana
sábado, 10 de setembro de 2022
Do Rock in Rio, música de Marte e Etnomusicologia
mesma "visão de mundo". E isso é algo que todo mundo tem. Todo homem se apropria/constroi uma visão de mundo a partir da qual ele opera no mundo.
sábado, 2 de julho de 2022
Uma boa receita de rock
Certo dia, eu estava andando na rua quando olhei para a traseira de um ônibus. Na janela, uma propaganda de uma banda que parecia "cool", com um nome, no mínimo, curioso e de visual bem rock n' roll para os padrões da geração Z. Então, assim que alcancei a calçada, dei meus "googles" para descobrir que banda era aquela. Alguns links depois, percebi que já havia topado com eles, mas, na época, assisti um vídeo (vídeo "vídeo" mesmo) e pensei: "Ah, é igual Led Zeppelin". Sim, amigos... Estou falando de "Greta Van Fleet"!
Meu primeiro encontro com a banda não foi lá essas coisas como vocês podem supor. Os primeiros acordes até estavam me ganhando, mas quando Josh Kiszka abriu a boca, eu pensei: "Meu Deus, Robert Plant renascido!" e, na época, esqueci de fazer algo que um crítico jamais deve deixar de fazer: conhecer primeiro. Foi somente com a propaganda no ônibus que me interessei em investigar e saber como foi que meninos tão jovens resolveram fazer rock "dasantiga". E vamos nós!
Quase que inevitavelmente, a primeira coisa que me saltou aos ouvidos foi a voz de Josh.. Ouvi e ouvi e vi... Procurando, confesso, algumas "escorregadelas". Corrijam-me se eu estiver errada, mas acredito que ele seja autodidata no canto. De qualquer modo, o que ele nos apresenta é uma voz com invejável extensão vocal, de ótimo suporte respiratório e com um brilho que parece ter sido forjado nos ensaios de garagem mesmo. O garoto fez direitinho o trabalho de casa.
E a guitarra? Banda de rock que é banda de rock tem que ter uma guitarra presente e, não raro, protagonista. E GVF tem. Ouvindo o Zeppelin e o GVF percebo que a guitarra do GVF é mais "sujinha", parece que tem um acento a mais de overdrive. É uma guitarra, por vezes, clássica. É uma assinatura da banda.
O que dizer da composição teclado, guitarra e bateria? Nas faixas "Broken Bells" e "Flower Power" caiu como uma luva! Quase com um certo tempero de "The Doors" no teclado. Mas Sam (que assume tanto o teclado quanto o baixo) também alterna o tempero com uma boa dose de baixo regado a frases modestas, mas expressivas. Destaque para a faixa "Safari Song" que revela um lindo diálogo entre baixo, guitarra e bateria.
Para coroar, temos composições que parecem ter sido inspiradas nas raízes de blues e rhythm n' blues do rock n' roll mais "raiz". Quase como se os meninos tivessem se encapsulado em uma viagem no tempo e nos presenteassem com uma mesa farta de belos timbres e acordes que conversam muito bem entre si. E sigo além, a música de GVF é pictórica. Ela nos descreve cenas e narrativas de um outro tempo, de outra esfera. É uma música transcendental. E aí, especificamente, neste ponto, encontro a maior semelhança com o Led Zeppelin. Mas, dizer que GVF é cópia do Zeppelin, pura e simplesmente, é limitar ambas as bandas. Se por um lado, Zeppelin tem faixas que flertam com a música indiana ("The Battle of Evermore", por exemplo), GVF tem todo um caminho pela frente ainda a dizer a que veio. Só posso dizer que até o momento, estou aproveitando.
domingo, 10 de outubro de 2021
Sobre "Alta Fidelidade", a música e a vida
Ontem assisti "Alta Fidelidade". De novo. Lembro que quando vi a primeira vez, gostei muito, mas não sabia precisar muito bem por quê. Não que eu saiba agora, mas depois de viver as experiências que vivi, posso ter uma noção do porque vale a pena passar duas horas em frente a tela para conhecer esta história.
O título do filme no original é exatamente o mesmo e ele já dá uma pista de que o filme não trata apenas de relacionamentos, mas é também um filme sobre música. A história começa com Rob sendo abandonado por sua namorada, Laura. A cena se passa na casa de Rob e ele tenta demover Laura da ideia de ir embora a qualquer custo. Sua namorada não cede e deixa Rob com uma série de questionamentos, dentre eles por que essa situação se repete em sua vida. Assim, ele lista seus "top 5" términos e vai contando a história de cada um deles e cada um possui sua própria trilha sonora. Música e vida se entrelaçam, revelando o que está mais intricado nas personagens. Assim, cada relacionamento de Rob tem uma trilha sonora. E não só na trama, mas a música tem um importante papel no filme até mesmo pelo fato dele ser dono de uma loja de discos.
Ao se perguntar por que sempre acaba abandonado, Rob segue revisitando seu passado e também lidando com seu rompimento atual. Nesse caminho, ele descobre e revela muito de si. Ele se mostra um cara egoísta, com seus medos, obsessivo e chega mesmo a distorcer a realidade se vitimizando. Acredito que por isso mesmo o filme encanta. Não se trata aqui da heroína típica de comédias românticas dos anos 90, mas, sim, um homem, mal resolvido, com suas questões e seus medos. Por extensão, pode se tratar de qualquer pessoa real.
O filme fala também da vida. Rob projetava nos seus relacionamentos sua sede existencial, seu desejo de saciedade. E, revivendo cada um deles, Rob se descobre despido de qualquer coisa que o pudesse proteger e completar. No fim, Rob descobre que, mesmo diante da impossibilidade de saciar nossa sede em um relacionamento, ele pode viver para uma pessoa apesar das suas fraquezas. E aqui a música novamente se apresenta uma forte interlocutora, sinalizando com “I believe" de Steve Wonder que ter esperança é uma necessidade humana. Gostei muito desse final. Não que seja surpreendente ou inusitado. Mas ele mostra o quanto pessoas de verdade têm o potencial de recomeçar.
sexta-feira, 20 de agosto de 2021
"Relatos do Mundo", Tim Keller e o sofrimento
Enquanto estou aqui parada sem saber como começar esse texto enquanto vou repassando os pontos que quero abordar. Bem, todo fim de semana gosto de dedicar algum tempo à sétima arte. Houve um tempo que eram clássicos, mas hoje em dia sucumbi àquela tão conhecida plataforma que vocês conhecem.
Achar um bom filme é como fazer uma boa descoberta. Não limito aqui "bom filme" ao orçamento, mas algo que capture seu coração e te tire do lugar comum. Vou deixar de fazer suspense e entrar logo nos pormenores. Assisti ontem (ou há alguns dias, pois não sei quando essa postagem vai ser publicada) a "Relatos do Mundo". Já estava na minha lista há algum tempo, mas sabe como é... Escolher um filme ou não depende do humor do dia. O filme nem tem um enredo, assim, extraordinário. A trama conta uma história que já vimos algumas vezes em diversos filmes. Mas então por que falar dele? Primeiro, porque tem o selo "Tom Hanks" de qualidade. Segundo, porque ele aborda o sofrimento de perspectivas diferentes e porque estou lendo "Caminhando com Deus em meio à dor e ao sofrimento" do Tim Keller. O diálogo entre os dois é, simplesmente, inevitável.
Antes de discutir os pontos que me saltaram à vista, é preciso entender o contexto do filme. E não vou me desculpar por escrever sem amarras. Ou seja, se houver spoiler, spoiler haverá. No velho oeste americano, quando um veterano de guerra encontra uma órfã que convivia com os índios Kiowa, ele decide levá-la aos seus parentes ainda vivos, enfrentando, junto com a garotinha, diversos perigos na jornada. Captain Kidd (Tom Hanks) ganhava a vida lendo as notícias de outras cidades nas comunidades em que passava e, viajando com Johanna (Helena Zengel), os dois acabam criando um vínculo de afeição.
A historia dos dois é permeada por sofrimento, mas o primeiro a ser evidenciado é o de Johanna. A pequena órfã viu seus pais e sua irmãzinha morrerem de forma hedionda pouco antes de ser encontrada por Kidd. A forma como ela lida com o sofrimento é bem diferente da do capitão. Enquanto ele visualiza uma linha reta, um movimento que o leva a não revisitar o lugar de sofrimento, ela vê um círculo. Em determinado ponto da viagem em que os dois conseguem, apesar da barreira da linguagem, se entender, ela deixa explícito que é preciso revisitar o sofrimento para se seguir em frente. Enquanto Kidd não vê sentido no sofrimento, ela o enxerga como um ponto de partida.
Ainda, em outros pontos do filme, a visão de Kidd sobre a dor vivida o guia em relação à Johanna. Para ele, o sofrimento deve ser evitado a qualquer custo. Por isso ele diz a Johanna para não entrar na casa onde seus pais foram mortos. Para Kidd, o importante é manter a pequena órfã longe daquilo tudo. Mas Johanna disse: "Johanna go". Sim, ela foi. Ela entrou na casa, viu as manchas de sangue, viu tudo desarrumado, pegou sua bonequinha e saiu dali. Saiu pronta pra seguir viagem. Kidd ficou de longe olhando. A ele cabia levá-la a salvo para longe do lugar de dor.
Além de Johanna, Capitão Kidd tinha ele mesmo suas próprias dores. Serviu em duas guerras e deixou a esposa a sua espera em uma cidade. As ações de Kidd, em alguns momentos, pareciam uma vã tentativa de redimir seu passado de sangue. Até sua disposição em ajudar Johanna. Quanto à esposa, ele sabia que, em algum momento, teria de lidar com ela e com o seu passado antes da guerra. Em algum momento, teria de voltar. E é quando sua viagem com Johanna chega ao fim que ele retorna à sua cidade e descobre que sua esposa faleceu e não está mais a sua espera. Em seu diálogo com um velho amigo, Kidd deixa claro que seu sofrimento era uma maldição. Ele estava sendo punido pelos crimes de guerra através da morte da esposa. Ao que seu amigo retruca: "é apenas uma doença".
Em "Caminhando com Deus em meio à dor e ao sofrimento", Tim Keller começar por abordar o sofrimento sob diferentes perspectivas. Kidd seria um moralista, pois seu pecado é a causa do mal que sobreveio à sua esposa. E Johanna entenderia o sofrimento como parte da vida. A questão é que a forma como entendemos o sofrimento pode impactar diretamente nossas ações. Podemos, simplesmente, correr dele desesperadamente ou abraçá-lo como Cristo ensinou e não, isso nada tem a ver com masoquismo, mas com dar ao sofrimento o lugar que lhe cabe: os pés da cruz.
A fé cristã, como aponta Keller, nos ensina a ver que o sofrimento tem propósito. Ela transcende o moralismo e o secularismo de nossos dias. Nem o sofrimento é maldição (como para Kidd), nem uma fatalidade (como para Johanna).
Ainda não terminei o livro de Keller e por isso seja precipitado esmiuçá-lo. Mas o diálogo com o filme me pareceu tão evidente que merecia alguma reflexão. O ponto é como nossa visão sobre o sofrimento norteia nossas atitudes e nossa relação com o outro. Isso impacta diretamente nossas ações. Ou nos torna capazes de seguir adiante, processando e ressignificando a dor ou nos prende a ela, de alguma forma. O melhor é que não tenhamos medo do sofrimento, mas que vivamos a alegria em meio a dor.
domingo, 16 de maio de 2021
A obediência é anterior à "felicidade"
Vou começar este texto já concluindo: sua obediência a Deus é anterior à sua "felicidade". Respire e leia novamente: "sua obediência a Deus é anterior à sua 'felicidade'". Há tanto o que dizer sobre isso que as ideias estão, neste exato momento, brigando para serem a primeira. Vou começar com a "felicidade", sim, entre aspas porque esta não é verdadeira (porque nem sempre isto está óbvio).
Todos nós temos uma ideia de felicidade que é, na maioria das vezes (creio), dinâmica e se amolda às nossas vivências. Você pode, por exemplo, quando pequeno ter tido o sonho de ser professor e pensar que para ser feliz, teria de se tornar um. Nesse sentido, felicidade é algo que se projeta para o futuro. Não é algo pertencente ao presente. Por outro lado, você também pode ter pensado que felicidade é vivenciar os momentos em família ou com amigos. E então, precisamente, nesses momentos, você é feliz. Nos dois exemplos, o conceito de felicidade é construído a partir de algo em que acreditamos ser "felicidade". Se considerarmos, felicidade como construção, precisamos ser honestos e nos perguntar: a partir do que se dá a construção do que conceituamos "felicidade". E esta é, por agora, a pergunta mais necessária a se fazer.
Podemos entender "felicidade" algo como: "para ser feliz, preciso de X ou Y" (e então levar em conta tanto a projeção para o futuro quanto as experiências vividas no presente), mas há ainda um conceito de felicidade que só pode existir em oposição ao de sofrimento. Se estou em dor, é possível que compreenda "felicidade" como sendo a ausência dessa dor: "para estar feliz, preciso me livrar de X ou Y". O ponto até então é que, seja qual for a base para esses conceitos de "felicidade", eles não abarcam a perspectiva paulina, não harmonizam com Filipenses e outros escritos. Vou então, com muito temor, refletir sobre esta perspectiva de felicidade.
O que Paulo nos ensina? Primeiro, vou falar sobre felicidade X sofrimento. Paulo sofreu. Essa é uma constatação. Mas não podemos dizer que era infeliz. Um homem infeliz não diz "alegrai-vos". Um homem infeliz não ouve "a Minha graça te basta" e responde "De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo." (2 Co. 12:7). Um homem infeliz é uma pessoa insatisfeita. Nada lhe basta, nada lhe preenche. Mas a Paulo, bastava a graça do Altíssimo: "a Minha graça te basta". Então ele era um homem satisfeito. Uma pessoa satisfeita não precisa de X ou Y para ser feliz porque ela JÁ TEM o que precisa. O discurso de Paulo é consonante ao do salmista, no salmo 23 (o Senhor é meu pastor, de nada terei falta).
Ainda sobre o sofrimento, Paulo tinha um "espinho na carne" que lhe causava dor e buscou a Deus, pedindo a Ele que o livrasse dessa dor. Pediu três vezes, ou seja, ele insistiu. Não era simplesmente algo que não o incomodasse. E Deus não retirou dele esta dor. O sofrimento de Paulo não se opunha à sua felicidade. Os dois coexistiam. Paulo era feliz APESAR do seu sofrimento. E agora cabe um parêntesis.
Somos treinados a evitar o sofrimento a qualquer custo: "Desce daí, se não vai cair/Tome este remédio pra dor de cabeça/ Passe esta pomada para hematomas/Evite tal pessoa, pois ela lhe causa dor". Não estou aqui fazendo uma apologia da dor ou dizendo que não devemos tratá-la. Pelo contrário! Imagine que sua dor de cabeça seja causada por problemas de visão e você só trata com analgésicos. Você vai sufocar a dor, mas não vai tratá-la. O que Deus faz com Paulo é TRATAR a dor ao invés de extirpá-la porque isto era necessário e a dor tinha um propósito ("para que em mim habite o poder de Cristo").
Paulo escolheu obedecer. Abraão também. Lembremos de seu exemplo: levou Isaque e a lenha para o holocausto e seguiu para o lugar de sacrifício. Duvido muito que Abraão estivesse feliz, caminhando para o o holocausto, tendo a seu próprio filho como "cordeiro". Mas ele escolheu obedecer. E, somente por obedecer, Abraão pode ouvir: "esteja certo de que o abençoarei e farei seus descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar" (Gn. 22:17).
O ponto de convergência entre Paulo e Abraão se dá no salmo 37, principalmente nos versos:Agrada-te do Senhor, e Ele satisfará os desejos do teu coração.
Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará." (v. 3-5, grifo meu)
quinta-feira, 29 de abril de 2021
Amiga poesia
Amiga poesia,
Você que me é querida, sensível e voraz. Perdoe-me por hoje, só por hoje talvez. Mas, neste dia de céu nublado e quarto minguante, vou preferir prosa. Vou destilar, fruir impressões tais, caminhar por aqui e ali, desbravar matas e encontrar pequenos paraísos perdidos de mim. Pequenas doses de alegria que este momento me concede. E vou ter um dedinho de prosa aqui comigo mesma. Eu sei, pareço Narciso, mas acredite: é só impressão. Você, leitor, é bem vindo para ouvir e quiçá me ofertar com sua simpatia.
Como ia dizendo, hoje me fiz ouvir. Com uma voz firme, gentil e precisamente clara. Perguntei, incomodei, cutuquei. E ouvi. Sim, ouvi com atenção, busquei empatia, busquei diálogo. Uma palavra que percorresse todo o caminho entre meu ser, meu coração, mente e o coração e mente do outro. E ouvi.
De início, palavras vagas, confusas, arredias... Mas me calei sobre isso e pensei: talvez lhes sejam necessárias, talvez não as saiba tão vagas. E ouvi. Entendi que trocávamos palavras apenas. As minhas, desejosas de nomes e indicações, apontavam uma direção. Mas as que ouvia... Não cumpriam nenhum papel além de serem jogadas ao vento. Assim, cada uma voando, voando... Sem indicar nenhum paradeiro. E montei o quebra-cabeça. Bem... Do meu jeito, com as peças que me foram dadas a muito custo.
Não me fez mais feliz ou triste a imagem que as palavras conferiam... Apenas constatei. Apenas vi. E percebi a fragilidade e confusão do meu interlocutor. E com uma última frase de apoio, distante e desconsertada, eu o deixei pontuar e finalizar nossa conversa.
Não me entristeceu a fraqueza com que se indispôs a se revelar... Cobriu-se com um véu e se fez pretensamente presente em nosso diálogo. Que pena... Mas é tudo o que irei dizer sobre isso. Afinal, despir-se é uma escolha.
No mais, a alegria me brindou pela coragem. A coragem em, despudoramente, erguer minha voz. Pois, sim, tenho voz e ela se fez perfeitamente audível. E apontei claramente o caminho para o qual eu precisava seguir e, para seguir, precisava saber... E soube. E vi. Entendi.
Então minha amiga, compreenda que, por vezes, precisamos deixar as palavras correrem livres, voláteis, etéreas. Aquelas que ficam, por algum motivo as fazem. Aquelas que se vão foram destinadas a isso. Quanto a mim, falei, disse, indaguei, cutuquei e constatei. E agora, vamos a próxima coisa.
Créditos imagem: Sushil Nash (unsplash)
quinta-feira, 22 de abril de 2021
Manhattan
terça-feira, 20 de abril de 2021
Fome
quinta-feira, 8 de abril de 2021
R$ 25 o quilo do camarão e a eternidade
Hoje saí para comprar duas peças de mármore. Preciso fazer uns consertos no apê e as peças são fundamentais. Então pesquisei algumas marmorarias na internet, liguei e a primeira, de cara, me deu um ótimo orçamento. E me pus, em plena tarde carioca, na rua para comprar as tais peças.
Cheguei no lugar e parecia, de fato, como dizer… Uma espécie de oficina? Barulho alto, lugar pra estacionar e, escada acima, o atendimento. Comprei as pedras e, como fui informada de que poderia retirar no mesmo dia uma hora depois, saí pra dar uma volta. E nesse ponto eu vou tentar parar de narrar uma tarde ordinária, não muito quente e, de certa forma, enfadonha. Não, leitor, vou pular a parte que me diverti com os chás que escolhi no mercado local, que tomei um açaí (na rua, claro) e nesse meio tempo troquei uns whats com um amigo. Pra que acrescentar isso ao texto? Que graça tem? Seria interessante dizer que achei o bairro nada amistoso para pedestres ou que percorri algumas farmácias procurando um suplemento em falta para minha mãe? Nada! Carros vão e vem. Pessoas atravessam, se arriscam no sinal. Sacolinhas de plástico são distribuídas para os clientes. Obras acontecem. Tudo tão corriqueiro, tão ordinário. Tudo o mesmo. O mesmo ritmo, o mesmo tempo debaixo do sol.
E volto a contar o que aconteceu. Voltei à marmoraria. Peguei as pedras (pesadas que estavam!) e pedi um carro de aplicativo para voltar para casa com o “pacotinho”, leve, leve… Chegou o carro e entrei. Tentei resolver um pagamento com afinco e muita concentração, porém sem sucesso. O boleto, com o código de barras todo arranhado, não poderia ser lido de jeito nenhum. Foi quando eu desisti do pagamento e ouvi o bordão: “É 25, é 25, é 25 o quilo do camarão”. E aquilo me chamou a atenção. Como?
Preciso respirar um pouco antes de me explicar… O carro do camarão me “despertou” do boleto? Sim. Minha mente mudou o foco e de repente vi camarões a minha frente, sendo preparados, cuidadosamente tratados e pensei egocentricamente: “Por que quero camarões? Eu nem mesmo sei prepará-los? Nem saberia escolhê-los…” e algo me libertou da importância do carro do camarão: se, de fato, como alguns cientistas dizem, Andrômeda se chocar com a Via Láctea, que diferença faz saber ou não fazer o camarão? Mais ainda: que diferença faz comprar o camarão ou não?
O camarão apodrece. E apodrece até rápido. A diferença entre o camarão, o carro do camarão e nós é só uma questão de tempo. Nós duramos um pouquinho mais. Como diz o salmista “a vida do homem é semelhante à relva”. Nasce, cresce e morre. Então… Qual é a graça?
A graça não está em nós, mas Naquele que tudo criou. Ele, sim, é eterno. Ele, sim, faz o carro do camarão ter seu propósito no mundo. Nele todas as coisas existem e se fazem necessárias. Daí, penso: melhor eu aprender a fazer camarão. Vai que um dia dá vontade de comer?
terça-feira, 6 de abril de 2021
Estabilidade
Hoje estive na minha psiquiatra e ela disse algo que não ouvia há uns 3 anos: "Estou te achando estável". Caro leitor, sim, hoje você vai ler sobre bipolaridade. A palavra "estabilidade" soa como música aos meus ouvidos. Soa como aquele troféu após uma corrida difícil. Soa como uma bela vista após 4 horas de trilha com trechos bem íngremes: "estou te achando estável". No meu entender, consegui "passar de fase" no videogame. Não fora só pronunciar "estável", ela sugeriu uma redução na dosagem da medicação. Uma pequena redução. Um teste. Um "veja como se sai" e amanhã vou poder dizer melhor...
Não é só a palavra "estabilidade", mas é tudo o que ela implica: exercício físico regularmente, medicação todos os dias, treinar a mente para perceber gatilhos, ter passado por um divórcio, por desilusões, frustrações, estar todo o tempo se autoavaliando, observando humor, fazendo anotações. Estabilidade também implica se conhecer, saber seus limites, trabalhar quando é possível e saber a hora de descansar, de parar. "Estabilidade". Que doce gosto o dessa palavra!
"Estabilidade" é algo a se conquistar, mas, confesso: pode não ser eterna. Um paradoxo talvez, mas é assim. Lide com a estabilidade como uma dádiva, como uma planta a ser cultivada. Plante em terreno fértil e regue regularmente. É a cada dia, a cada pôr-do-sol. É conhecendo a sua porção, sua fragilidade. É voltar ao ponto de partida sem medo, toda a vez que for necessário. É seguir caminhando para frente também sem medo. O que eu posso lhe dizer é que é Deus quem sustenta minha estabilidade. É Ele quem faz meus neurotransmissores funcionar e assim eles seguem, me mantendo estável.
Não tenha pressa de conseguir a tão desejada estabilidade. Ela virá como uma pena, sem que você dê conta de si. Apenas viva, conheça-se, não tenha medo de suas idas e vindas. Elas fazem parte da bipolaridade. Apenas saiba que, em algum momento, você pode ouvir esta música suave e gentil nos seus ouvidos: estabilidade.
E assim eu sigo: na certeza de que Deus me sustenta e rege não só minha existência, mas também todas as coisas. E você me pergunta: "o que isso tem a ver com estabilidade?". Respondo: tudo, não se põe o sol todos os dias em todo o mundo?
terça-feira, 30 de março de 2021
Retorno
Lua cheia, março de 2021
Mesmo quebrantado pela vida que escolhi
Da janela eu vi
Cada estação fugir
No outono, no inverno, eu espero primavera chegar
Retornar pra onde parti
Da distância avistei a alegria e a esperança
Das migalhas que desperdiçamos, faremos jantar
Eu voltaria atrás
Pra tentar me avisar
Mas que Cristo é a luz do mundo
Deixe Ele te falar quem você é
Que a Palavra te desfaça
Que te afogue em Sua graça
Só a cruz esconderá quem você não é"
sexta-feira, 15 de janeiro de 2021
Um cobertor maior
Lua Nova, janeiro de 2021.
Hoje quero escrever sem amarras. Quero escrever livre como
um riacho descendo corredeira abaixo. Sempre me proponho a isso, nem sempre
consigo, eu sei, mas hoje é necessidade, hoje é querência.
Nesta manhã, acordei muito mal. Estou desde ontem mal. Um
sintoma emocional e físico que conheço muito bem: angústia. Se você é bipolar,
deve conhecer bem esta velha companheira. Não tenho receita para evitá-la, mas
se tivesse, pergunto-me se deveria fazê-lo (como aquela história de “Brilho eterno
de uma mente sem lembranças”). O que eu posso dizer é que não tem remédio pra
isso.
Se por um lado, não há remédio... Você pode se
perguntar por que estou escrevendo esse texto. De fato, não descobri a cura,
mas este não é de todo um caso perdido e aqui me proponho a pensar no que faço
quando estou neste estado.
Primeiro, não tente negar. É pior. Dói ainda mais. Reconheça
e identifique o sintoma e apenas o saiba presente e parou por aí. Segundo, não “mergulhe”
nele. Não o alimente, nem dê a ele mais do que o que ele precisa. Terceiro,
procure se distrair. Se há algo que capture sua atenção, faça-o. Neste exato
momento, eu estou escrevendo. Estou me concentrando em algo que cativa meu
coração. Quarto, procure as pessoas que te assistem: médico, psicólogo,
terapeuta... Tente manter um registro do seu humor e passa informações
detalhadas sobre você para seu médico. Quinto, procure seus amigos. Não se
isole. Sim, você terá seu momento de solitude (e não solidão), que é muito
importante, mas evite dar oportunidade para a angústia te engolir.
Por fim, nessas horas, lembro sempre de quem eu sou e em
quem eu acredito e não há como fugir deste pensamento. Há um dito popular que
diz “Deus dá o frio conforme o cobertor”. Não sou muito fã de ditos populares,
mas não é por isso que considero este tão falacioso. Lembro de Paulo, Jó e
Davi, que passaram por tantas provações. Não. O cobertor deles era pequeno, bem
pequeno. Paulo pediu a Deus a cura e Ele lhe respondeu: “a minha graça te basta”.
O que isso me diz? Que nossos cobertores são pequenos e finos até, mas que, ao
recorrer a um pai bondoso e poderoso, Ele nos dá um cobertor potente e nos
mantém aquecidos até que a noite passe. Essa é a minha certeza. Esse é o motivo
pelo qual escrevo esta manhã e sei que, embora eu não tenha forças pra lutar
contra a angústia, Deus tem. Ele é a minha armadura.
Espero ter despertado sua consciência para uma luta mais justa e
menos desigual contra o transtorno e a angústia e que você saiba que, se por um
lado, não há cura para todo mal, há remédio para cada tipo de dor.
Até a próxima lua.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
Feliz Ano Novo!
Lua cheia de dezembro, ano 21 do 21º século.
Meus
dedos indecisos teimam em uma ideia fixa, mas nada de uma palavra só. O ano de 2020
nos compele a dizer um emaranhado de desejos e sentimentos que não sabemos ao
certo se lhe cabem. Faço uma breve pausa e concluo: sim, cabem. E sigo,
humildemente, na minha tentativa ousada de falar sobre este ano tão árduo e
complexo.
Este
foi um ano indigesto e isso, muitos de nós já puderam concluir logo no início,
mais ou menos naquela época em que tivemos de encarar o fato de que não havia
certezas sobre nada. Comércio parado, educação se transformando de uma forma
jamais vista, famílias se desentendendo, pessoas morrendo. Não quero aqui
registrar nada novo. É preciso lembrar. Estamos vivendo um período histórico.
Sim, todos são, mas este ano... Este ano nasceu com um propósito e veio com uma
missão a cumprir e, pelo que tenho observado, tem conseguido êxito.
Não
sei como foi para você, mas posso apresentar aqui minhas impressões. Preciso,
antes, lhe dar um breve contexto de como foi que passei meu 2020. Para além da
pandemia, levantei-me e sorri para os meus maiores medos, entendendo que se, por
um lado, eu estava a enfrentar um inimigo invisível e microscopicamente menor
que eu, por outro (e internamente), meu maior inimigo foi algo plantado na
minha vida, algo que fez parte da minha história. E segui com uma questão a
resolver, com uma pendência a tratar, com decisões a tomar. Tal como um
ferimento cuja bala não foi extirpada, eu sentia dor, mas precisava me
movimentar. E assim decidi por um cisma, um corte, uma ruptura, um ponto final.
Pausa. Depois da tempestade, tudo me pareceu como um vasto oceano. Sem terra à
vista, só o mar e o horizonte. E respiro tranquila. Com ou sem máscara. Este
foi meu 2020.
Ainda
sobre 2020, disse antes que este ano veio com um propósito, com uma missão...
Diante disto, me vejo na impossibilidade de escrever algo além do que posso
acreditar. Neste ano fomos confrontados com nossa fragilidade humana. Nos
olhamos no espelho e não nos sentimos fortes. Nós nos sentimos fora de nossa
casca, frágeis, quebráveis. A incerteza e a insegurança se revezaram como
sombras do nosso andar. Houve, é verdade, momentos em que vociferávamos como
leões postulando que homem X ou Y era melhor do que homem A ou B. Nos demos o
privilégio de ter pelo menos alguma fé.
Além
de fazer com que nos sentíssemos frágeis, 2020 nos apontou para algo mais
importante: nos ensinou a olhar para o próximo. Ou deveria (esta é ainda uma
lição que pode ser aprendida). E aprendemos que nossa mesa tem o suficiente.
Julgávamos precisar de tantas frivolidades e estas se perderam pelo bem da
quarentena. Foi melhor assim. Precisamos de pouco. Bem pouco.
Este
ano também revelou nossa feiura. Perdão, mas não pretendo lhe agradar com meu
pensar. Não é esse o intuito. Eu o direi com as devidas palavras. Fosse pela
convivência forçada, fosse pela desesperança e pelo medo, 2020 nos olhou de
frente e nos disse: “vocês são feios” e feiura, amigo, é algo pertinente e
inerente ao ser humano. Assim, Adão ensinou.
Além
disso, contemplamos como que por espelho a transitoriedade da vida. E,
precisamente, nesta altura, me é forçoso dizer que estamos à espera. Estamos à
espera do Rei, do grande Criador que com maestria rege belamente a sinfonia do
mundo e de nossas vidas. Nada lhe foge. Nada lhe escapa. Ele detém o poder e a
bondade sob Suas mãos. O vírus não lhe escapa. A economia, os governos não lhe
escapam. Tudo aqui nos aponta para novos céus e nova terra.
E
eis que vem batendo à porta um novo ano. Continuaremos a acordar todas as
manhãs, continuaremos respirando, trabalhando, comendo, dormindo... Se assim
Deus permitir. O que mudaria, então? Nada. Ou melhor, um dígito. Então qual
seria a razão de se refletir sobre esta passagem. Penso que a primeira coisa a
se fazer é se admitir sua efemeridade e que daqui a um ano estaremos nos
fazendo exatamente as mesmas perguntas e buscando as mesmas razões. A segunda
coisa não poderia ser senão a reflexão em si: o “balanço do ano”. Este é contundente,
afiado como uma faca, certeiro como uma flecha bem lançada e aponta para duas
coisas: a graciosa mão do Criador (para os de coração grato) e a nossa
falibilidade (para os corajosos).
E,
então, leitor, passo a discorrer sobre algo sobremodo promissor: esperança.
Primeiro, é necessário admitir que esperança é algo que pode existir. A partir
daí, pergunto: em que espero? Se coloco minha esperança em um galho de árvore
(como em uma correnteza), logo não tenho esperança, pois esperança que se esvai
não é esperança. Mas se confio e espero em algo eterno, na fonte de todas as
coisas, esta espera não se dissipa e não morre. É preciso ter esperança frente
ao desconhecido. Não há como abraçar o futuro sem esperança. Não podemos
escolher ter ou não um futuro, mas, definitivamente, podemos escolher abraçá-lo
com esperança.
Portanto,
meu desejo a você que me lê não é se despir do medo, pois este faz parte de nossa
condição, mas que, ao menos, espere em algo que é eterno, sólido e não se
esvai. Meu desejo é que você seja contemplado pelo cuidado do Todo Poderoso e
que aprenda a contar os seus dias (para que alcance um coração sábio). Que 2021
venha e o encontre uma pessoa diferente da que percorreu 2020, olhando para o
Alto, para o Eterno e para o que mais importa. Que ao se olhar, você se veja sabedor
da transitoriedade da vida e da urgência em vive-la da forma que lhe é
necessária e boa.
Sigamos
rumo ao desconhecido.
Feliz
Ano Novo!
sexta-feira, 29 de novembro de 2019
O que te define?
terça-feira, 16 de julho de 2019
Debaixo do sol
Hoje estou com saudade do que ainda não vi. Saudades de sabores que não provei, momentos de eternidade que ainda não vivi.
Explico. Nascemos com um espaço, com um vácuo do tamanho de Deus. A bíblia diz que foi a eternidade foi plantada no coração do homem.
Nascemos com saudades do eterno. De uma vida que só Deus pode nos dar. Nascemos com um buraco do tamanho de Deus.
Há explicações diversas para a vida aqui, mas não quero pontuá-las. Quero dizer da perspectiva cristã. Nascemos com um propósito e aguardamos novos céus e nova terra onde viveremos felizes para sempre (de verdade) com Deus. Aguardamos a redenção, a resolução, aquela nota que fará com que a música até então orquestrada faça sentido. Cristo é a resolução.
Se aguardamos a resolução, fo que vale esta passagem que estamos atravessando? E é precisamente aí que está o ponto da minha reflexão hoje... Vivemos como que a ensaiar este encontro. Como que a dizer: parece que fui feito para outra existência, ainda que não saiba como ela é.
Em Eclesiastes, vemos como pode ser a vida da perspectiva "debaixo do sol". Vemos que a vida é curta, dura e incerta, mas o autor da obra também nos ensina a nos deleitar nos prazeres que nos são dados na vida debaixo do sol. Somos orientados a vivermos os prazeres dessa existência com gratidão, entendendo que estes apontam sempre para o Criador e não só isto: apontam para a vida que teremos com ela. E por isso digo: hoje acordei com saudade da vida que ainda não vivi.
segunda-feira, 13 de maio de 2019
Em homenagem à Maria
Bem, passado o dia das mães (e aniversário da minha mãe), venho aqui compartilhar minhas inquietações. Desta vez, reconheço, um tanto polêmicas, mas escrevo na esperança de elucidar nuanças da 2a melhor data de vendas do comércio.
No calor dos posts que fluíram no meu feed do instagram ontem, li várias postagens enaltecendo a mulher como mãe, divinizando seu papel e a colocando em um status muito similar ao da nossa padroeira. Uma vez ouvi de um professor, doutor em comunicação, que essa data era, em parte, tão celebrada no Brasil por uma associação inconsciente ao culto à Maria. Tive de concordar com ele.
Quais as consequências, ou melhor, o ônus dessa relação? Temos uma mãe divinizada, perfeita. Uma mãe que não fala palavrão e não peca. Não peca?! Aí mora o principal problema... Não a vemos como pecadora, como humana que é, mas como uma mãe sem defeitos. E disso decorre uma série de implicações. Uma delas é não distinguir seus atos e pensamentos.
Outra questão seríssima e igualmente delicada é a da esterilidade. Então "só quem é mãe é quem sabe" (como estava em uma das postagens) passa a ser "só quem concebe" ou "só quem cria"? Quando leio algo assim, me vem logo à mente um nome: Madre Teresa de Calcutá. E uma longa pausa. Deixa eu entender... "Quem concebe é quem sabe", mas e as que não concebem e cumprem seu chamado à maternidade, fazendo discipulos? Pergunto-me: Madre Teresa seria tudo o que foi se tivesse se casado e concebido? Meu ponto aqui segue além... E aquelas que conceberam e não foram mães? Aquelas que se recusaram, de alguma forma, a fazer discípulos, a criar e a formar? Entenda: nossas mamães merecem toda homenagem que pudermos oferecer a elas. A minha, então, merecia um pote de ouro, rss. A questão é: reduzir o chamado ao discipulado à concepção.
É preciso redescobrir o papel da maternidade, dentro dos propósitos de Deus, dentro do que a bíblia ensina como feminilidade. Voltemos a olhar para a mulher virtuosa e sabê-la virtuosa, mas também mãe e pecadora, pois todos nós que estamos debaixo do sol, estamos na mesma condição.
É isso. Deixo a centelha luzindo...
segunda-feira, 15 de abril de 2019
Gente humilde
Hoje algumas lágrimas que em mim há algum tempo habitam teimaram em sair e vagar pelo meu rosto. É a dor de uma perda. Perda de afeto, de cumplicidade, de convivência. Uma perda.
Enquanto estive na rua, debati-me em vão para que elas não saíssem, mas... foi só pisar em casa que desisti da luta e disse-lhes: vão, minhas meninas, desaguem no oceano da minha pele. E me entreguei. No meio da respiração ofegante, ouço o barulho da tv. No outro quarto, minha mãe via um jornal. Paro pra assistir por alguns minutos: histórias tristes. Gente que perdeu, gente que sofre. Pessoas com dor, com um coração que dói. E me pego pedindo a Deus por elas. Então concluo o óbvio: não sou a única que sofre. Senhor, acode. Senhor, ajuda. E lembro o que dizia a canção:
"São casas simples
Com cadeiras na calçada
E na fachada
Escrito em cima que é um lar
Pela varanda
Flores tristes e baldias
Como a alegria
Que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar"
(Chico Buarque)
A diferença: eu creio.
quarta-feira, 27 de março de 2019
A vida
sábado, 2 de março de 2019
O trono
"O túmulo está vazio. O trono, não" (Ziel Machado)
Quando uma criança conversa com outra criança, ela olha para o lado. Mas quando temos uma criança conversando com um adulto, aquela vai, certamente, precisar olhar pra cima para poder lhe olhar nos olhos. Da mesma forma, um adulto, quando olha uma criança, precisa olhar para baixo.
Nosso olhar sobre o caos que nos cerca e por vezes, mos invade não precisa ser engessado. Para se olhar de outra perspectiva, é preciso que se reconheça a necessidade para tal e que se queira mudar esse olhar. Deus nos move a fazê-lo. Se o Pai não nos der uma boa chacoalhada, nosso olhar será sempre o mesmo e não enxergarmos nossas vidas nem o mundo da perspectiva do trono. É desse lugar que João, preso, é convidado a olhar o mundo a sua volta: um mar agitado e revolto, mas que obedece a voz de um Deus soberano e poderoso. É na tempestade que sua mansa voz acalma o mar e ganha a perspectiva que tem de fato: poder e grandiosidade.
Precisamos aprender a ouvir essa voz mesmo quando o caos nos invade. Deus não somente acalma a tempestade, nos dá paz em meio a turbulência, mas Ele nos ensina que um Deus bondoso, poderoso e soberano está no controle de tudo. E Ele está conosco.





