quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Salmo 77

Caro(a) leitor(a),

Já falei aqui sobre a música e os estados da alma. Assunto que dá pano pra manga. Lembro de assistir um documentário, se não me engano, chamava-se "Tales of music and the brain" do Oliver Sacks que, dentre outras coisas interessantes, falava que a música é uma das poucas coisas que faz nosso cérebro se conectar por inteiro. Ela provoca uma intensa atividade cerebral.

Mas isso tudo é pra dizer que hoje sinto-me fatigada, desanimada e sem fôlego para maiores elaborações. Falei aqui do salmo 88, que acho uma descrição excelente de depressão. Graças a Deus, não me encontro nele. Hoje estou no salmo 77. Segue um trecho:

"Quando estou angustiado, busco o Senhor; de noite estendo as mãos sem cessar; a minha alma está inconsolável!
Lembro-me de ti, ó Deus, e suspiro; começo a meditar, e o meu espírito desfalece. Pausa
Não me permites fechar os olhos; tão inquieto estou que não consigo falar.
Fico a pensar nos dias que se foram, nos anos há muito passados;
de noite recordo minhas canções. O meu coração medita, e o meu espírito pergunta:
"Irá o Senhor rejeitar-nos para sempre? Jamais tornará a mostrar-nos o seu favor?" (1-7)

Se parasse por aqui... Seria completo o meu desespero. Contudo, o salmista observa:
"Teus caminhos, ó Deus, são santos. Que deus é tão grande como o nosso Deus?
Tu és o Deus que realiza milagres; mostras o teu poder entre os povos." (13-14)

Que toda dor, tristeza e desespero sejam levados perante Deus.
Clamo a Deus por socorro; clamo a Deus que me escute.
Quando estou angustiado, busco o Senhor; de noite estendo as mãos sem cessar; a minha alma está inconsolável!
Lembro-me de ti, ó Deus, e suspiro; começo a meditar, e o meu espírito desfalece. Pausa
Não me permites fechar os olhos; tão inquieto estou que não consigo falar.
Fico a pensar nos dias que se foram, nos anos há muito passados;
de noite recordo minhas canções. O meu coração medita, e o meu espírito pergunta:
"Irá o Senhor rejeitar-nos para sempre? Jamais tornará a mostrar-nos o seu favor?

Salmos 77:1-7

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Música no museu

Neste fim de semana, tive a oportunidade de ver uma exposição e assistir a um concerto. Um duo de flauta e violão. Descobri no balcão de informações do lugar que está acontecendo o projeto Música no Museu. É claro que vou conferir, ao menos, um dos concertos. O evento é gratuito e a música é de alta qualidade. O repertório vai desde o clássico à Jacob do Bandolim e Gershwin. Destaque para os compositores brasileiros, como o tarimbado Villa-Lobos. Indico, especialmente, a apresentação do dia 15/11 com o clarinetista Adilson Alves e o pianista João Carlos Assis Brasil.

Então, ótima forma de se tratar a alma... Afinal, "cantando eu mando a tristeza embora" ;)





sábado, 9 de novembro de 2013

Da música e os estados da alma

Enquanto escrevo esta postagem, ouço Stênio Marcius e me pego pensando no efeito da música sobre os estados da alma. Acordei até bem para uma semana em que vinha de uma depressão matinal frequente que, por vezes, perdurava quase o dia todo. Hoje estou no salmo 4, mas houve momentos em que passei pelo salmo 88. Segue um trecho do capítulo:

"Senhor Deus da minha salvação, diante de ti tenho clamado de dia e de noite.
Chegue a minha oração perante a tua face, inclina os teus ouvidos ao meu clamor;
Porque a minha alma está cheia de angústia, e a minha vida se aproxima da sepultura.
Estou contado com aqueles que descem ao abismo; estou como homem sem forças,
Livre entre os mortos, como os feridos de morte que jazem na sepultura, dos quais te não lembras mais, e estão cortados da tua mão." Salmos 88:1-5

Considero esse salmo uma descrição perfeita de depressão. Impressiona-me, toda a vez que o leio, a profundidade com a qual o salmista externa seu estado de alma. É um lamento que dirige a Deus, uma descrição detalhada do quão triste e miserável sua alma está. Penso que, por pior que fosse seu estado, ele se sentiu melhor ao compor este salmo. Deus nos deu a música e com ela recursos para trabalharmos nossas feridas e dores.

Lembro-me que no início do transtorno, eu não conseguia ouvir certos tipos de música. Aliás, mal conseguia ouvir música por causa das lembranças que me causava. Mas à medida que o tratamento foi fazendo efeito, fui descobrindo nela uma poderosa aliada. Por isso importava o que ouvir e como ouvir. Tem funcionado. Espero, em breve estar no salmo 23 novamente, pois como diz em Isaías:

"Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti." (Isaías 43:2).
SENHOR Deus da minha salvação, diante de ti tenho clamado de dia e de noite.
Chegue a minha oração perante a tua face, inclina os teus ouvidos ao meu clamor;
Porque a minha alma está cheia de angústia, e a minha vida se aproxima da sepultura.
Estou contado com aqueles que descem ao abismo; estou como homem sem forças,
Livre entre os mortos, como os feridos de morte que jazem na sepultura, dos quais te não lembras mais, e estão cortados da tua mão.
Puseste-me no abismo mais profundo, em trevas e nas profundezas.

Salmos 88:1-6
SENHOR Deus da minha salvação, diante de ti tenho clamado de dia e de noite.
Chegue a minha oração perante a tua face, inclina os teus ouvidos ao meu clamor;
Porque a minha alma está cheia de angústia, e a minha vida se aproxima da sepultura.
Estou contado com aqueles que descem ao abismo; estou como homem sem forças,
Livre entre os mortos, como os feridos de morte que jazem na sepultura, dos quais te não lembras mais, e estão cortados da tua mão.
Puseste-me no abismo mais profundo, em trevas e nas profundezas.

Salmos 88:1-6

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Cristo e A Cadeira de Prata

Recentemente, li A cadeira de prata, que é a penúltima de As crônicas de Nárnia. Nesta, como nas outras, há a presença de crianças da Terra. O enredo trata de um príncipe desaparecido que as tais crianças vão ajudar a encontrar.

Pois bem. Jill e Eustáquio (as crianças) conseguem encontrar o príncipe desaparecido, mas que está sob encantamento de uma lindíssima dama que é, na verdade, uma feiticeira e ora se transforma em uma serpente perigosíssima. Quando o livro caminha para a resolução, em uma das cenas, o príncipe (sob sua forma encantada) conta às crianças que está prestes a ter um ataque e que eles não devem desamarrá-lo sob qualquer condição. Durante o ataque o príncipe era amarrado em uma cadeira de prata. Era neste momento, durante o ataque, que o príncipe se via livre do encantamento. Justamente quando estava preso.

Acho esta cena riquíssima em elementos, em sua simbologia, mas uma coisa, em especial, me chama atenção: a cadeira de prata, que é também o nome da crônica. A cadeira é onde o príncipe se mantém preso, mas também é sentado nela que ele tem lucidez.

Voltando à cena, o príncipe é liberto ao pedir às crianças que o soltem "por Aslam". Para quem leu uma das crônicas ou todas elas, Aslam é o próprio Cristo.

Penso que todos nós já passamos por períodos de "encantamento", de dormência dos quais precisamos ser libertos. E corremos pra Cristo, que é quem nos livrou das amarras do pecado e da escravidão. E penso também na cadeira de prata de Lewis. Entendo-a como um lugar de lucidez, um lugar de consciência real. Mesmo estando preso por cordas, o príncipe estava livre, pois era naquele momento que ele podia ser ele mesmo. Assim, nós. Em Cristo, nos conhecemos. Nele somos nós mesmos e Nele somos livres.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Miscelânea

Hoje tive de postar de outro navegador. Há algo de podre no reino do meu notebook. Vírus. Bem, não importa. O que importa é que estou conseguindo escrever agora e tenho uma informação importante tanto para quem está passando pela fase depressiva do transtorno bipolar quanto para os que estão sofrendo com depressão. A luz do sol! Isso mesmo, a luz do sol, além da vitamina D, é um poderoso aliado contra a depressão.

No mais, almoço com papai. Cardápio: Carmen de Bizet ;)


domingo, 3 de novembro de 2013

Pi e Richard Parker

Mencionei aqui que estou lendo alguns textos de aconselhamento bíblico sobre transtorno bipolar. Tenho descoberto um oásis neles. Tenho visto como a Bíblia tem recursos para um coração instável e carente da graça de Deus, pois como diz em um dos textos o TB "revela e amplifica uma luta primária que é encontrada em todo coração humano" (tradução minha de Sam R. Williams).

Ontem, novamente, assisti Pi. Novamente, me encantei com a fotografia do filme e as reflexões que o filme provoca e lembrei dos tais textos de aconselhamento. Um dos textos afirma que "Jesus é a resposta para o coração indomado" e lembrei de As aventuras de Pi. No filme, Pi sobre um naufrágio e se vê num barco com um tigre. Dentre tantas dificuldades, talvez a maior delas seja lidar com o tigre até que chega o momento em que Pi entende que se precisar lutar para sobreviver naquela situação, precisava domar o tigre. E ele o faz. Não sem esforço, perspicácia, lutando contra seus próprios medos, mas Richard Parker (esse era o nome da fera) aprende a respeitar Pi. E isso traz segurança, calma para Pi.

Para aquele que tem TB  ou quem não tem, o importante é que conheçamos quais os tigres temos dentro de nós. Daí, retomo a frase: "Jesus é a resposta para o coração indomado". Jesus é a resposta para o coração que se descontrola, que se põe em risco de vida. E, assim como Pi domou Richard Parker, Cristo pode estabilizar nosso coração, trazendo-nos paz e esperança.


sábado, 2 de novembro de 2013

Ontem que passou

Passou. O tempo voou. Esqueci. Rotina que se desfez.

Recomeço. Dia 2, dia par. Tempo apressado. Como pernas que correm.

Aperto start. Dia que começa. Final de semana. Tempo. Olha ele de novo querendo correr.

Como um aperitivo, algumas palavras. Amanhã, retorno. Mais palavras, outros significados.